O presidente Donald Trump sugeriu na sexta-feira na Flórida que Cuba seria anexada “quase imediatamente” e que um porta-aviões poderia ser mantido offshore após um conflito no Irã.
Os comentários vieram no mesmo dia Trump assinou a ordem executiva Expandir significativamente as sanções dos EUA contra o governo cubano e suas subsidiárias.
O governo cubano, as empresas estrangeiras que fazem negócios na ilha e os aliados dos EUA na região enfrentarão pressão no meio de um aumento acentuado da retórica e das sanções financeiras.
Semana de notícias A Casa Branca foi contactada para esclarecimentos sobre as intenções de Trump.
Por que isso importa
Os comentários de Trump acrescentaram um toque dramático a uma já crescente campanha de pressão dos EUA contra Havana, que a sua administração enquadra como uma ameaça à segurança nacional.
Embora os comentários do presidente possam parecer parcialmente humorísticos, eles seguem acções políticas específicas sob a forma de sanções mais amplas.
Falando no antigo e apartidário Fórum Clube de Palm Beaches, em West Palm Beach, Flórida, na noite de sexta-feira, 1º de maio de 2026, Trump disse que os Estados Unidos anexariam Cuba “quase imediatamente”, uma observação que chamou a atenção por seu momento e tom.
Fez este comentário ao dirigir-se ao povo, referindo-se aos atuais problemas políticos e económicos em Cuba. Notícias da raposa.
Trump pintou um cenário hipotético de presença militar dos EUA no mar, dizendo que um porta-aviões americano poderia atracar fora das águas cubanas.
Segundo Trump, uma demonstração de força seria suficiente para capitular, acrescentando que prefere “fazer o trabalho”.
Uma ligação com o conflito no Irão
O presidente vinculou os seus comentários à guerra em curso entre os EUA e Israel contra o Irão, dizendo que qualquer medida que envolvesse Cuba ocorreria no regresso desse conflito.
Ele sugeriu que um porta-aviões que retornasse do Oriente Médio – citando o USS Abraham Lincoln como exemplo – pudesse ser implantado perto da ilha.
Os comentários ecoaram declarações anteriores de Trump de que Cuba seria a “próxima” após a acção militar no Irão, embora nenhum plano formal ou cronograma tenha sido anunciado.

As novas sanções foram assinadas no mesmo dia
Na sexta-feira, Trump assinou uma ordem executiva ampliando as sanções dos EUA contra o governo cubano, citando ameaças à segurança nacional e à política externa dos EUA.
A ordem visa indivíduos e organizações ligadas ao aparelho de segurança de Cuba, ao sector energético, aos serviços financeiros, às indústrias mineiras e a outras partes da economia.
Segundo a ordem, os activos e interesses financeiros ligados a indivíduos sancionados são bloqueados e os cidadãos dos EUA são amplamente proibidos de realizar transacções com eles.
A ordem também aprova sanções secundárias que permitem sanções a empresas estrangeiras e instituições financeiras que façam negócios significativos com entidades cubanas sancionadas.
As sanções também incluem restrições de viagem, barrando a entrada dos EUA a certos indivíduos ligados ao governo cubano, a menos que sejam isentos no interesse nacional.
Enquadrando a Casa Branca
Na ordem executiva, a administração descreveu o governo cubano como uma “ameaça incomum e extraordinária” para os Estados Unidos, acusando-o de repressão, corrupção e alianças com atores estrangeiros hostis.
Autoridades dos EUA também apontaram supostas ligações entre Havana, o Irã e grupos como o Hezbollah.
A Casa Branca argumentou que é necessária uma pressão acrescida para combater as operações hostis de inteligência e segurança que ocorrem a menos de 160 quilómetros da costa dos EUA.
Resposta de Cuba
Os líderes cubanos criticaram fortemente as novas medidas. O presidente Miguel Díaz-Canel descreveu as sanções como “coercitivas” e disse que representavam uma punição coletiva contra o povo cubano.
O ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, disse que o governo não terá medo da pressão americana.
As autoridades cubanas há muito que rejeitam as exigências dos EUA de reformas políticas e económicas, insistindo que o sistema socialista do país não está pronto para negociações.
Intenção política pouco clara
Trump não detalhou se seus comentários sobre a “aquisição” eram uma piada, uma mensagem política ou um esboço de política futura.
A Casa Branca não esclareceu imediatamente se os comentários reflectiam qualquer acção planeada para além das sanções já anunciadas.
O que está claro é que a retórica e a política caminharam juntas na sexta-feira, marcando outra escalada numa abordagem já conflituosa dos EUA em relação a Cuba sob a presidência renovada de Trump.



