Seis pessoas morreram e mais de uma dúzia ficaram feridas em Kiev no sábado, quando um homem abriu fogo primeiro na rua e depois num supermercado durante uma tentativa de prendê-lo, segundo as autoridades.
Segundo o procurador-geral Ruslan Kravchenko, o suspeito começou por abrir fogo na rua de uma grande área residencial na margem direita da capital, “depois barricou-se num supermercado e fez pessoas como reféns”.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse: “O agressor foi neutralizado. Ele tinha reféns e infelizmente matou um deles. Ele matou quatro pessoas na rua. Uma mulher ficou gravemente ferida e morreu no hospital.”
“Quatro reféns foram resgatados. Sabemos que 14 pessoas ficaram feridas até agora”, acrescentou.
Um jornalista da AFP presente no local viu os agentes colocarem uma caneta na frente da porta de vidro, onde eram visíveis vestígios de sangue. Uma montra da loja situada no rés-do-chão entre vários grandes edifícios residenciais, quebrado em torno de um buraco de bala.
“Ele continuou a gemer.”
Em declarações à AFP, Tetyana, que trabalhava no supermercado onde o suposto agressor foi morto a tiros durante sua tentativa de prisão, disse: “Havia sons como rolhas de champanhe estourando na loja. Os clientes gritavam ‘Corra'”.
Ele disse que se escondeu atrás das geladeiras. “Eu ouvi um homem gemendo, ele continuou gemendo. Ele estava atirando.” Depois de um tempo, “ele parou de fazer barulho e nos deitamos para ver o que estava acontecendo. Ele já estava morto”, acrescentou.
A polícia tentou negociar com o suspeito no supermercado por “quase 40 minutos”, disse o ministro do Interior, Igor Klymenko, aos repórteres no local.
Ele disse que a ordem para atirar foi dada: “Ele atirou nele depois de matar um refém”.
“Milagre”
Num vídeo publicado nas redes sociais, cuja identidade a AFP não conseguiu verificar, um homem à paisana é visto a caminhar lentamente pela rua, apontando uma espingarda aos transeuntes.
Klymenko afirmou que “se comportou de forma caótica, aproximando-se de todos”, acrescentando que a sua motivação é por enquanto desconhecida.
Segundo as autoridades, o homem também é suspeito de atear fogo ao seu apartamento, num prédio muito próximo do supermercado.
“Assim que vi fumaça saindo do apartamento, chamei os bombeiros”, disse Lyoubym Gleïeviï, 24 anos, que morava no andar de cima, à AFP.
“Chegamos em casa há cinco minutos, foi um milagre não termos encontrado ele”, disse ele.
O homem falava pouco e morava no apartamento há “dez anos”, segundo outra vizinha, Ganna Koulyk, que disse à AFP ter reconhecido o homem nas imagens compartilhadas online.
O Ministério Público afirmou que iniciou uma investigação sobre o ato terrorista e que o suspeito era “uma pessoa nascida em 1968 que usa arma de fogo licenciada”.
Ele já havia anunciado que o homem nasceu em Moscou.
“Atualmente não há confirmação de que ele tenha cidadania russa”, disse à AFP a porta-voz do Ministério do Interior, Mariana Reva.



