STAROBILSK, Ucrânia controlada pela Rússia, 22 de maio – O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou na sexta-feira que seus militares preparassem opções para retaliar contra a Ucrânia pelo que chamou de ataque de drones a um dormitório estudantil que matou seis pessoas, feriu dezenas e deixou 15 ainda não identificados.
Putin disse que o ataque atingiu o dormitório estudantil em Starobilsk, na província de Luhansk, controlada pela Rússia, no leste da Ucrânia.
Ele disse que o exército de Kyiv deveria saber o que tem como alvo.
Os militares ucranianos rejeitaram as acusações da Rússia e disseram ter atingido uma unidade de comando de elite de drones na região. Foi afirmado que Kiev cumpre o direito humanitário internacional.
Putin disse em seu próprio comunicado transmitido pela televisão estatal que não havia alvos militares perto do país.
Putin disse às autoridades: “Não há instalações militares, agências de inteligência ou serviços relevantes nas proximidades. Portanto, não há absolutamente nenhuma base para afirmar que a munição atingiu o edifício como resultado de nossos sistemas de defesa aérea ou de guerra eletrônica. O ataque não foi acidental; ocorreu em três ondas, com 16 UAVs visando o mesmo local.”
Ele acrescentou que os militares russos receberam ordens de preparar opções para a retaliação de Moscou.
A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente o que aconteceu. Ambos os lados negam que os civis tenham sido deliberadamente visados na guerra.
A Ucrânia quer recapturar Luhansk, uma das quatro regiões orientais que Moscovo reivindica unilateralmente como sua em 2022, o que Kiev condena como uma apropriação ilegal de terras.
A comissária russa de direitos humanos, Yana Lantratova, disse que 86 jovens com idades entre 14 e 18 anos dormiam no albergue do colégio Starobilsk da Universidade Pedagógica de Luhansk quando foram atacados por drones ucranianos durante a noite.
Leonid Pasechnik, um alto funcionário nomeado pela Rússia em Luhansk, disse que duas pessoas foram retiradas dos escombros. Maria Lvova-Belova, comissária presidencial para os direitos da criança, disse que até 18 crianças ainda podem ficar presas.
Lvova-Belova disse que algumas crianças tratadas no hospital estavam em estado grave.
A moradora local Lyubov Yakovlevna disse à Reuters que ouviu fortes explosões no ataque, que ela disse ter sido inicialmente realizado com foguetes e ter como alvo o que ela descreveu como uma antiga base.
Ele disse que mais tarde ouviu falar de drones atacando o dormitório estudantil, causando um incêndio e pessoas se abrigando no prédio de apartamentos.
“Uma onda de choque se espalhou pela nossa casa. Ninguém conseguiu dormir a noite toda. Estávamos observando os incêndios. Eu estava com medo, estava tremendo, foi realmente assustador”, disse ele.
Kremlin chama ataque de ‘monstruoso’
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, apelou à punição dos responsáveis.
“Este é um crime terrível. É um ataque a uma instituição de ensino onde estão presentes crianças e jovens”, disse aos jornalistas.
Moscou disse que o Conselho de Segurança da ONU realizará uma sessão de emergência em Nova York na sexta-feira para discutir o incidente.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que os três primeiros dos cinco andares do albergue foram destruídos no ataque ucraniano.
“Apelamos às organizações internacionais, aos governos nacionais e à comunidade global para que façam uma avaliação honesta e condenem veementemente o sangrento ataque terrorista”, afirmou o comunicado.
Fotos e vídeos divulgados pelas autoridades russas mostraram equipes de resgate retirando uma pessoa dos escombros, edifícios fortemente danificados (um dos quais parecia ter desabado parcialmente) e incêndios ainda acesos.
Presidente Volodymyr Zelenskiy na semana passada prometeu vingança Depois de deixar rosas vermelhas nos escombros de um prédio de apartamentos em Kiev, onde 24 pessoas, incluindo três crianças, foram mortas num ataque com mísseis russos.



