Um morador de Montreal de ascendência iraniana diz ter grandes esperanças na capacidade dos manifestantes de derrubar o regime iraniano, mas expressa preocupação com as pessoas que “não têm mais nada a perder”.
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“Ouvi um analista iraniano dizer que isto é na verdade um ato de desespero, que os iranianos não têm mais nada a perder, não têm liberdade, não têm futuro”, disse Sherazad Adib numa entrevista à LCN na sexta-feira.
Segundo a AFP, as manifestações continuam desde o final de dezembro para “acabar com o regime” liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.
“Esta é uma medida que nos dá muita esperança”, comentou M..EU Adib. Ainda ontem vimos imagens por todo o país, acho que cerca de cinquenta cidades aderiram ao movimento. “Havia uma grande multidão em Teerã e acreditamos nisso.”
Ainda assim, o montrealense diz estar muito preocupado com o aparato “repressivo muito significativo” associado ao regime.
“O acesso à Internet caiu”, explicou ele. “E muitas vezes no passado, quando fizeram isso, foi porque o aparato repressivo foi ativado e eles mataram o maior número de pessoas.”
Qual solução você deve considerar?
Donald Trump ameaçou na quinta-feira “atingir o Irão com muita força” se os manifestantes fossem mortos. Esta poderia ser uma solução para os manifestantes? Segundo Sherazad Adib, isso não é necessário.
“É uma faca de dois gumes”, explicou ele. Penso que a grande maioria dos iranianos quer que a mudança venha deles. Portanto, definitivamente não queremos que qualquer intervenção estrangeira decida o futuro do Irão.”
Ainda assim, ele reconhece que os manifestantes podem precisar de ajuda.
“Anteontem, vimos imagens de uma rua chamada Donald Trump. Então acho que talvez essa ajuda seja solicitada eventualmente”, disse o Montrealer.
Segundo ele, a chave do conflito pode estar num exército secreto. O movimento actual, explica ele, é extremamente popular nas pequenas cidades religiosas de onde vêm muitos membros da Guarda Revolucionária Islâmica.
“Será que eles serão afetados por esses movimentos, a família? É isso que queremos”, afirmou.
“Basicamente, queremos que parte do exército se junte ao movimento e que seja um movimento popular dos iranianos que decida o seu futuro”, acrescentou Sherazad Adib.
Assista a entrevista completa no vídeo acima.




