Início AUTO Epidemia de VIH espalha-se “como um incêndio” nas Fiji

Epidemia de VIH espalha-se “como um incêndio” nas Fiji

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Ao cair da noite na capital das Fiji, as pessoas acorrem à clínica improvisada que constitui a primeira linha de defesa contra o VIH num país onde a epidemia é uma das que mais cresce no mundo.

Este arquipélago do Pacífico Sul, um destino turístico popular com uma população de pouco menos de um milhão, registou mais de 2.000 novos casos de VIH no ano passado; Este é um aumento de 26% em relação a 2024.

O governo declarou uma epidemia de VIH e descreveu a situação como uma crise nacional.

“Está se espalhando como um incêndio”, disse Siteri Dinawai, 46 anos, que veio fazer o teste, à AFP.




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A clínica Moonlight, numa carrinha convertida estacionada nos arredores de Suva, pretende aproximar o rastreio dos bairros.

Voluntários da Survival Advocacy Network (um grupo de apoio para profissionais do sexo) e da Rainbow Pride Fiji (que trabalha com comunidades LGBTQ+) estão lá para conversar com os mais relutantes.

Ana Fofole e sua equipe, que administram o ambulatório, distribuem preservativos e também realizam exames de rastreamento de sífilis e hepatite B.




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Contudo, se os resultados forem alcançados em apenas 15 minutos, o medo continua a ser um grande obstáculo.

fluxo de drogas

“Muita gente não vem com medo de ter resultado positivo”, explica Ecelina Lalabaluva, 28 anos, que fez a triagem.

Clínicas como o Moonlight permitem conscientizar o público, avaliar com maior precisão o número de casos e encaminhar as pessoas com resultado positivo para tratamento.

O país teve quase 5.000 casos, de acordo com Renata Ram, diretora nacional da UNAIDS para Fiji e Pacífico, que disse que a crise vem piorando há anos.

A taxa de infecção começou a aumentar por volta de 2019, com o surgimento de um grupo de consumidores de drogas injectáveis ​​de “risco muito elevado”, principalmente profissionais do sexo.

“As Fiji, tal como outras ilhas do Pacífico, são há muito tempo um centro de entrada de drogas provenientes da América Latina e da Ásia na Austrália e na Nova Zelândia”, afirma Virginia Comolli, gestora do programa do Pacífico da Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC).

O fluxo de drogas altamente viciantes (metanfetamina, cocaína) para estes mercados lucrativos aumentou acentuadamente após a calmaria da pandemia de Covid-19.

Estas substâncias também foram fornecidas às ilhas do Pacífico, especialmente porque as organizações criminosas pagavam frequentemente “em espécie” aos seus facilitadores locais.

O estigma social é um fardo pesado para quem vive com o vírus em Fiji, onde prevalecem valores conservadores.

Atraso de “15 a 20 anos”

Mark Lal, que foi diagnosticado com VIH há dois anos, é uma das poucas pessoas que falou publicamente sobre esta crise.

“Quando surge o assunto sexo em Fiji, todo mundo se dispersa”, explica este jovem de 24 anos, que afirma não ser usuário de drogas.

“Quando fui diagnosticado, a primeira coisa que perguntei aos médicos foi: ‘O que acontece agora? Devo esperar até morrer?’ “ele diz.

Mark Lal respondeu a perguntas de mais de cem pessoas através de sua página no Facebook +Living Positive Fiji+.

Segundo ele, a maioria deles tem entre 17 e 20 anos e reluta em revelar o seu estado serológico por medo de discriminação.

Para Renata Ram da ONUSIDA, a tarefa promete ser difícil porque as Fiji estão “15 a 20 anos atrasadas” nos seus esforços para combater o VIH.

“O que realmente precisamos neste momento é de um programa de troca de seringas”, diz ele.

O governo anunciou a adopção de um plano para prevenir a propagação associada às drogas injectáveis, mas a sua implementação foi adiada.

Para Irinieta Foi, que veio à clínica Moonlight para fazer o teste, a tarefa mais importante é simples.

“É muito importante que todos façam o teste”, insiste.

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