A cidade velha do Porto está repleta de ruas estreitas. Subindo alto, a roupa doce vibra na brisa, e lenta, pressionada precariamente para trançar as janelas. E ao nível da rua, toalheiros, faixas, tangas e panos de cozinha adornam as entradas das lojas de souvenirs, muitas das quais geridas por imigrantes do Bangladesh, cujo lar em Portugal partilha uma rica tradição de fabrico têxtil.
Com o polegar nos panos de prato, sou atingido por um sentimento elevado. Penso na gaveta de chá de casa, na mistura colorida de minhas roupas de férias e em minhas heranças inadvertidas. Das linhas estampadas por William Morris aos quadros editoriais obsoletos marcados no Muro de Adriano, ao tecido com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e outras reivindicações de vida a partir de 40 anos.
Cada vez que pego um pano de prato novo para secar a louça, penso nas diversas conversas do passado na cozinha com quem torcia e dobrava esses mesmos panos. Agora, enquanto meu filho ajuda a se secar na pia, estamos envoltos em conforto nessas roupas lavadas e em um ritual doméstico. Antes de os portugueses saírem das lojas de souvenirs, escolho uma toalha nova de gola alta para pendurar à medida que o dia passa – e, um dia, passo.