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Um ex-presidente pró-Rússia ganhou a votação da Bulgária em meio a uma crise de corrupção

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da Bulgária O ex-presidente pró-Rússia Rumen Radev venceu as oitavas eleições parlamentares do país em cinco anos, com as sondagens à saída a mostrarem que a sua coligação de centro-esquerda Bulgária Progressista obteve 39,2 por cento dos votos.

O resultado deu a Radev uma vantagem sobre o partido GERB, de centro-direita, do líder popular Boyko Borissov, que deverá ganhar apenas 15,1 por cento, mas a margem pode não ser suficiente para governar sozinho – estabelecendo outro potencial processo de coligação num país que luta com anos de impasse político.

A votação ocorre uma semana depois de os eleitores húngaros terem deposto Viktor Orbán, outro líder europeu amigo de Moscovo, sinalizando uma potencial mudança na influência russa em todo o continente.

Por que isso importa

Uma vitória de Radev poderia levar ao poder um líder que se tem oposto consistentemente ao fornecimento de apoio militar à Ucrânia, apesar da adesão da Bulgária à União Europeia (UE) e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ao contrário de outros líderes da NATO e da UE, Radev optou por retomar as conversações com a Rússia como uma forma de sair do conflito e disse que iria “desenvolver relações práticas com a Rússia baseadas no respeito mútuo e na igualdade de tratamento”. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, entrou em confronto público com Radev sobre o apoio militar, pedindo às câmeras que saíssem da sala para a cúpula de 2023.

O resultado surge uma semana depois de o desafiante de centro-direita Peter Magyar ter deposto Orbán, que mantém laços estreitos com o Kremlin e com o presidente Donald Trump e bloqueou repetidamente a ajuda económica a Kiev. Esse resultado foi amplamente visto como um golpe para os interesses russos na Europa. A vitória de Radev complica essa narrativa, potencialmente substituindo uma voz europeia pró-Rússia por outra.

O que saber

Uma sondagem à saída realizada pelo Trend Research Group previu que seis partidos poderiam ultrapassar o limite de 4 por cento necessário para entrar no parlamento, aumentando as hipóteses de outra legislatura fracturada. 43,4 por cento de votação foram registrados. Depois de as previsões iniciais terem declarado outras eleições “catastróficas para a Bulgária”, Radev disse: “Significa passar de crise em crise quando temos de trabalhar muito para sair destas crises.”

Eleições antecipadas seguiram-se a protestos nacionais em Dezembro passado que levaram centenas de milhares de pessoas – principalmente jovens – às ruas, exigindo um poder judicial independente para combater a corrupção generalizada e forçando o governo liderado pelos conservadores de Borissov a demitir-se. Radev, um ex-piloto de caça e comandante da Força Aérea de 62 anos, renunciou ao cargo de presidente da Bulgária em janeiro – meses antes do final do seu segundo mandato – para lançar a sua candidatura a primeiro-ministro. Em comícios de campanha, ele prometeu “remover o modelo de governo corrupto e oligárquico do poder político”.

De acordo com a Transparência Internacional, a Bulgária ocupa atualmente o 84.º lugar entre 182 países em termos de corrupção, caindo três posições em relação a 2024. O país aderiu à zona euro em 1 de janeiro e recentemente entrou na área de viagens Schengen sem fronteiras. O antigo parceiro de coligação de Borissov, o oligarca Delian Pevski – que foi sancionado pelos EUA e pelo Reino Unido por corrupção – votou no sudoeste da Bulgária no domingo, já que os cidadãos “querem viver em que tipo de país”.

Mario Bikarski, analista sénior da Europa Oriental e Central da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft, disse que a campanha relativamente obscura de Radev o deixou aberto à cooperação com quase qualquer partido no parlamento no futuro, embora Radev estivesse relutante em entrar numa coligação formal com o Partido do Renascimento, de extrema-direita e abertamente pró-Rússia.

O que acontece a seguir

Espera-se que os resultados oficiais confirmem as previsões das sondagens de saída, mas o caminho a seguir pelo governo permanece incerto. Radev disse que faria todo o possível para evitar uma nona eleição, dizendo que a participação em massa dos eleitores era “a única maneira de submergir a compra de votos em um mar de votos livres”.

As negociações da coligação determinarão se a Bulgária poderá finalmente formar um governo estável – ou se o impasse político que dura há anos no país continua.

Reportagens da Associated Press contribuíram para esta história.

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