O vice-reitor da Universidade de Buenos Aires (UBA), Emiliano Iacobitti, garantiu que a reconciliação entre o governo nacional e as universidades representa uma mudança na dinâmica do conflito, embora tenha esclarecido que ainda não existe um acordo definitivo, porque está de acordo com a lei de financiamento universitário e o sistema de renovação do sistema docente.
“É de salientar que o governo tem recebido um reconhecimento muito grande a nível financeiro, que é cerca de 60% do que a lei pede em diferentes áreas: salários, custos de funcionamento e hospitais universitários”, explicou Iacobitti ao analisar a nova fase de diálogo entre as duas partes. No entanto, afirmou: “Não podemos dizer que se chegou a um acordo, porque o que propomos é que o governo cumpra a lei”.
Para o dirigente da universidade, a abertura do executivo marca um recomeço depois de quase dois anos de tensão. “Devemos realçar a disponibilidade do Governo para negociar com as universidades nacionais, o que é uma novidade em tudo o que tem sido este conflito até agora”, disse, acrescentando que este exemplo permite “começar a discutir muitas outras coisas, não só salários”.
“A polêmica ainda não acabou”
O governo Jacobitti foi forçado a rever a sua posição, dizendo que o protesto universitário teve um efeito político. “Acho que o governo gastou. A última mobilização foi enorme, ultrapassou as fronteiras da academia, envolveu as elites culturais e muita gente que vê o que está a acontecer na universidade”, disse em declarações à Rádio Esplêndida.
Nesse sentido, afirmou, o objectivo agora é manter um canal permanente de diálogo. “Todos os dias estamos definindo planos de estudos, novas carreiras, o que vai ser investigado e o que não vai, e para isso precisamos de um diálogo permanente com o governo”, afirmou.
No entanto, ele insistiu que a disputa permanecerá aberta até que a questão subjacente seja resolvida. “Estamos aguardando que o tribunal defina o cumprimento da lei de financiamento pelo governo. O Supremo Tribunal não vai olhar para o outro lado”, disse.
Além disso, questiona-se qual o momento para a justiça resolver o litígio. “A justiça tem que ter um papel e tem que ser feita em pouco tempo. Já são mais de 200 dias de votação e julgamento. Quanto tempo você espera para decidir se uma lei deve ser obedecida ou não?” ele perguntou.
Preocupação com a fuga de professores e pesquisadores
Considerando o conflito dos anos anteriores, Iacobetti descreveu as consequências do ajuste no sistema universitário. “Perdemos estudantes porque a situação econômica de muitas pessoas na Argentina é a mesma. Está se tornando muito difícil sobreviver”, explicou.
Além disso, alertou para a perda de recursos humanos nas universidades. “Perdemos professores que reduziram a sua dedicação para passar mais horas noutros locais ou fazer diretamente outros trabalhos. Alguns foram para outros países”, destacou.
Segundo explicou, uma das questões mais preocupantes é a saída de investigadores e cientistas. “Nestes dois anos de conflito perdemos alunos, professores, mas sobretudo houve uma enorme fuga de investigação e de ciência”, alertou. E observou: “Nenhuma nação pode esperar progredir a menos que tenha uma ciência que investigue os problemas estratégicos da nação”.
Auditorias e debate político
Quanto às questões do governo nacional sobre a gestão dos fundos universitários, Iacobetti defendeu os mecanismos regulatórios existentes. “As auditorias são feitas, conduzidas e publicadas no Gabinete do Auditor Geral da Nação. Sempre foram”, afirmou. E acrescentou: “É melhor que eles controlem todos os fundos que quiserem, estou tranquilo com isso”.
Por outro lado, o Vice-Reitor da UBA também se referiu à situação política do Chefe da Casa Civil Manuel Adorni em meio às polêmicas em torno do oficial. “Não é bom que o governo exponha permanentemente um chefe de gabinete que não tem credibilidade perante o público ou os seus próprios colegas de gabinete, forçados a dar explicações sobre algo que não deveriam ter feito”, observou.
Formação alternativa de oposição
Por fim, Iacobitti falou sobre o cenário político e a necessidade de construir uma alternativa para o futuro. “Precisamos formar uma frente política que garanta uma alternativa”, disse ele. No entanto, deixou claro que uma coalizão não pode ser construída apenas rejeitando o adversário. Temos que construir uma alternativa que diga o que não se pode fazer para derrotar alguém, o que se vai fazer com cada problema que a sociedade tem e que propostas se vai apresentar ao Congresso”, afirmou.
Quando questionado sobre o eventual retorno de Mauricio Macri como candidato presidencial, ele disse que era uma decisão que cabe à sociedade tomar. “Macri tem todo o direito do mundo de querer ser candidato presidencial novamente, mas o importante é uni-los e o que farão se vencerem”, disse ele.
Finalmente, quando perguntaram a Javier se a educação era uma prioridade para a gestão de Miley, ele disse enfaticamente: “Não, não acho que seja uma prioridade”. No entanto, destacou que a nova fase do diálogo abre uma oportunidade para discutir o futuro do sistema universitário e os desafios que enfrenta face às mudanças tecnológicas e académicas.
