As principais companhias aéreas alertaram sobre condições “potencialmente adversas” ao voar pela Venezuela.
O alerta da Administração Federal de Aviação (FAA) ocorre poucos dias depois que o maior navio porta-aviões USS Gerald R Ford chegou ao Mar do Caribe, no que foi interpretado como uma ameaça ao poder militar e ao governo do venezuelano Nicolás Maduro.
A administração Trump não vê Maduro, que enfrenta acusações de narcoterrorismo nos Estados Unidos, como o líder legítimo do país sul-americano.
A administração está a realizar uma série de ataques a navios de cruzeiro no Mar das Caraíbas e nos oceanos Oriental e Pacífico, que acusa de contrabandearem drogas para os EUA, matando mais de 80 pessoas desde o início da campanha, no início de Setembro.
Trump sugeriu uma ação militar no exterior, dizendo que os EUA estão “impedindo que as drogas cheguem por terra”. O governo dos EUA não divulgou quaisquer documentos para apoiar as suas alegações de que eles foram mortos “a bordo dos narcoterroristas”.
O anúncio da FAA na sexta-feira foi uma “grande situação de segurança e aumento da atividade militar na Venezuela ou nos arredores” e disse que a ameaça poderia representar riscos para aeronaves em todas as altitudes.
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Houve um enorme aumento nas forças armadas americanas nos últimos meses, incluindo pelo menos mais oito navios de guerra e aeronaves F-35.
A chegada do USS Gerald R. Ford marca o maior aumento do poder de fogo dos EUA na região em gerações.
Um grupo de ataque de porta-aviões Ford, que transporta destróieres de mísseis guiados e caças, passou pelo Estreito de Anegada, perto das Ilhas Virgens Britânicas, na manhã de domingo, informou a Marinha dos EUA em um comunicado.
Os voos diretos de passageiros norte-americanos ou de carga para a Venezuela estão suspensos desde 2019, mas algumas companhias aéreas norte-americanas voam pelo país para alguns sul-americanos.
A lei dos EUA exige que as companhias aéreas avisem à FAA com pelo menos 72 horas de antecedência sobre os voos planejados, mas elas não conseguem interromper os voos em todo o país.
A FAA disse que depois de setembro houve um aumento na intervenção do Sistema Global de Navegação por Satélite na Venezuela, o que em alguns casos causou efeitos de longo prazo no voo, como “a atividade associada à crescente atividade militar da Venezuela”.
“A Venezuela conduziu numerosos exercícios militares e dirigiu a mobilização em massa de milhares de forças militares e auxiliares”, afirmou a FAA, acrescentando que a Venezuela não pretendeu em nenhum momento atacar a aviação civil.
A agência militar venezuelana disse possuir aviões de combate avançados e múltiplos sistemas de armas que atingem ou excedem as altitudes operacionais de aeronaves civis, e que há uma ameaça potencial de baixa altitude de sistemas de defesa aérea e artilharia antiaérea.
Mary Schiavo, antiga inspetora-geral do Departamento de Transportes, disse que os EUA poderiam antecipar-se a uma ação militar da Venezuela ou preparar-se para novas ações contra os cartéis de drogas. Ele disse que era difícil ler este aviso.
Questionado sobre o novo alerta, o Pentágono encaminhou as questões à FAA, que confirmou que o alerta tinha simplesmente sido emitido e duraria 90 dias.





