A COP30, que se realizará em Belém, no Brasil, no coração da nossa Amazónia, não pode nem deve ser “apenas mais uma cimeira”.
Por Nicholas Meyer
no jornal La Nación
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O diagnóstico é incontornável: a crise climática é essencialmente uma profunda crise de valores e de fé no futuro. O fracasso na consecução dos objectivos do Acordo de Paris baseia-se numa negação persistente da ligação entre o grito da terra e o grito dos pobres. Eles estão acostumados com a lógica dos privilégios por um curto período de vida. Do Sul Global, que é o mais afectado, a questão é se as grandes potências das negociações de paz estão dispostas a parar o preço do colapso para abraçar uma revolução ecológica abrangente.
A Igreja Católica, longe de observar, oferece um diagnóstico profundo e uma solução radical. O ensinamento do Papa Francisco, no conceito de ecologia integral, nos ensina que não existem duas crises distintas, mas uma única e complexa crise socioambiental. A caridade, como serviço da Igreja, leva esta visão da doutrina aos seus fins. O nosso compromisso com a COP30, que também expressámos através de notas dirigidas à sua Presidência, não termina no topo: é um compromisso vital e permanente com as comunidades que já sofrem com a desertificação, a poluição, as inundações e os deslocamentos forçados. Em nosso trabalho na Amazônia e em outros biomas da região, onde abordamos o modelo de localização “A periferia é o centro”, mostra que a verdadeira mudança vem da capacidade da liderança local e da valorização do conhecimento ancestral, e não de burocratas externos.
Com base nas instituições de crédito, recusamo-nos a aceitar o relatório como resposta. A Igreja no nosso país colocou o cuidado da Casa Comum no centro da sua actividade, entendendo-a como uma exigência de justiça social. Este papel se traduz em ação profética diária: junto com líderes comunitários, pastores e associações locais, trabalhamos juntos para ser uma voz que denuncia a injustiça e uma mão que semeia esperança. Nosso papel será a ponte que leva o clamor das pessoas afetadas à mesa de negociações, para que a mensagem ecoe nos corredores do poder, exigindo que os acordos se traduzam em soluções reais para aqueles que vivem na linha de frente do desastre ambiental.
A COP30 é uma oportunidade decisiva para o nosso país e os seus líderes. A crise socioambiental não é secundária; É uma questão moral que define o nosso futuro e o dos nossos filhos. Não podemos ser cúmplices por omissão ou grosseria. A fé nos move a superar a retórica. Escolhemos a esperança, que não é uma esperança vazia, mas uma ação concreta contra a injustiça. Seguindo o ensinamento do nosso Cardeal Eduard Pironius: “A esperança deve ser um hábito de vida que se transforma em amor e serviço, entrega total e paz”.
O tempo é suficiente para que o acordo cesse. É hora de assumir a responsabilidade que os pobres e a terra exigem de nós.
Coordenador Regional da Caritas para a América Latina e o Caribe
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