Promovido pelo Presidente Trump como um “must-have”, o documentário de Melania Trump “Melania” estreou no domingo com vendas de ingressos acima do esperado, de US$ 7 milhões, segundo estimativas do estúdio.
O lançamento de “Melania” foi diferente de todos os anteriores. A Amazon MGM Studios pagou US$ 40 milhões pelos direitos e cerca de US$ 35 milhões pelo marketing, tornando-o o documentário mais caro de todos os tempos. Dirigido por Brett Ratner, banido de Hollywood desde 2017, o filme sobre a primeira-dama estreou em 1.778 cinemas em meio ao tumultuado segundo mandato de Trump.
Embora o resultado fosse um fracasso para a maioria dos filmes que custam tanto, “Melania” foi um sucesso para os padrões documentais. É o melhor fim de semana de estreia para um documentário em 14 anos, excluindo filmes de concertos. No fim de semana, as estimativas variavam de US$ 3 milhões a US$ 5 milhões.
Mas houve pouca comparação com “Melania”, uma vez que as famílias presidenciais normalmente evitam publicar memórias ou documentários enquanto estão no cargo para evitar parecerem estar a lucrar com a Casa Branca. O filme segue Melania Trump durante 20 dias em janeiro passado, antes da segunda posse de Trump.
Na quinta-feira, Trump organizou a estreia do filme no Kennedy Center, com a presença de membros do Gabinete e do Congresso, entre outros. Lá, Ratner minimizou o potencial de bilheteria, observando: “Você não pode esperar que um documentário seja lançado nos cinemas”.
Trump abordou uma série de tópicos políticos no evento de estreia, respondendo a perguntas dos repórteres sobre a Reserva Federal, o Irão, Cuba e muito mais. A primeira-dama disse à CBS News no tapete vermelho do evento porque achava que as pessoas se conectariam com o documentário.
“Acho que você verá muitas emoções, do humor à tristeza e pesar, à celebração e à família”, disse ela.
José Luís Magana/AP
O filme número 1 do fim de semana foi “Send Help”, de Sam Raimi, um thriller de sobrevivência aclamado pela crítica, estrelado por Rachel McAdams e Dylan O’Brien. O lançamento da Walt Disney Co. arrecadou US$ 20 milhões pela primeira vez. O filme, com orçamento de US$ 40 milhões, foi um lançamento provisório de Raimi, cujos sucessos normalmente variavam do culto de baixo orçamento (“Army of Darkness”) ao blockbuster de grande orçamento (“Homem-Aranha”, de 2002).
O filme de terror de ficção científica com baixo orçamento “Iron Lung”, dirigido pelo YouTuber e pelo cineasta Markiplier, ficou em segundo lugar, com US$ 17,9 milhões, superando em muito as expectativas. O thriller de ação de Jason Statham, “Shelter”, estreou com US$ 5,5 milhões.
Porém, a curiosidade maior foi sobre a atuação de “Melania”. Uma semana antes, a Casa Branca organizou uma prévia do vestido de noite com a presença do CEO da Amazon, Andy Jassy, do CEO da Apple, Tim Cook, e do ex-boxeador Mike Tyson.
O filme foi lançado em uma semana dominada pela cobertura das táticas federais de imigração em Minnesota, depois que um agente da Patrulha de Fronteira dos EUA atirou fatalmente em Alex Pretti, de 37 anos, em Minneapolis.
“Melania” não foi exibido pela crítica com antecedência, mas as críticas divulgadas na sexta-feira após o filme chegar aos cinemas não foram boas. Xan Brooks, do The Guardian, comparou o filme a uma “homenagem medieval para apaziguar o ganancioso rei em seu trono”. Owen Gleiberman, da Variety, chamou-o de “informercial de bola de queijo de surpreendente indolência”. Frank Scheck, do The Hollywood Reporter, escreveu: “Dizer que ‘Melania’ é uma hagiografia seria um insulto às hagiografias.”
Mas entre aqueles que compraram ingressos no fim de semana, a resposta foi bem mais positiva. “Melania” recebeu um CinemaScore “A”. A maioria do público tinha 55 anos ou mais (72% dos compradores de ingressos), era feminino (72%) e branco (75%). Como esperado, o filme teve melhor desempenho no Sul, com estados importantes como Flórida e Texas.
David A. Gross, que dirige a empresa de consultoria cinematográfica FranchiseRe, chamou-o de “um excelente começo para um documentário político”.
“Para qualquer outro filme que custasse US$ 75 milhões e tivesse potencial limitado no exterior, isso seria um problema”, disse Gross. “Mas este é um investimento político, não um projeto cinematográfico com fins lucrativos, e se ajudar a Amazon com uma questão regulatória, fiscal, alfandegária ou outra questão governamental, terá retorno. US$ 75 milhões são insignificantes para a Amazon.”
“Melania” é o primeiro filme de Ratner desde que foi acusado de má conduta sexual em 2017. Várias mulheres, incluindo a atriz Olivia Munn, acusaram Ratner de assédio sexual e má conduta. Ratner negou as acusações. No outono passado, após a alegada intervenção de Trump, a Paramount Pictures anunciou que distribuiria seu programa “A Hora do Rush 4”.
“Melania”, que será transmitido no Prime Video após seu lançamento nos cinemas, foi lançado mundialmente. Pouco antes de sua estreia, a distribuidora sul-africana Filmfinity anunciou que não lançaria mais o filme. A empresa disse que mudou de rumo “devido aos desenvolvimentos recentes”.
Esperava-se que as vendas internacionais de ingressos para “Melania” fossem insignificantes.
Estimativas de bilheteria do fim de semana para os EUA
Como os números nacionais finais serão divulgados na segunda-feira, esta lista leva em consideração as vendas estimadas de ingressos de sexta a domingo nos cinemas dos EUA e do Canadá, de acordo com os dados. Comscore:
1. “Enviar ajuda”, US$ 20 milhões.
2. “Pulmão de Ferro”, US$ 17,9 milhões.
3. “Melania”, US$ 7 milhões.
4. “Zootopia 2”, US$ 5,8 milhões.
5. “Abrigo”, US$ 5,5 milhões.
6. “Avatar: Fogo e Cinzas”, US$ 5,5 milhões.
7. “Misericórdia”, US$ 4,7 milhões.
8. “A empregada doméstica”, US$ 3,5 milhões.
9. “Marty Supremo”, US$ 2,9 milhões.
10. “28 anos depois: O Templo dos Ossos”, US$ 1,5 milhão.



