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Acompanhados pelos Emirados Árabes Unidos e apoiados pelas preocupações das principais potências europeias, os Estados Unidos condenaram veementemente na segunda-feira a decisão das Nações Unidas de dar ao Irão um papel de liderança numa importante conferência para um acordo nuclear.
A escolha do Irão como um entre dezenas de vice-presidentes numa conferência de revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, com a duração de um mês, reacendeu o escrutínio daquilo que os críticos dizem ser um padrão recorrente de o Irão ganhar legitimidade processual dentro das instituições internacionais, apesar das preocupações de longa data sobre o seu comportamento nuclear.
O conflito eclodiu quando a 11ª Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear foi aberta na sede da ONU em Nova Iorque, onde o Irão foi eleito como um dos 34 vice-presidentes através do bloco do Movimento dos Não-Alinhados.
A conferência inclui 191 partes do tratado e reúne-se de cinco em cinco anos para analisar a implementação do tratado que visa prevenir a proliferação de armas nucleares.
ENQUANTO OS EUA ESTÃO SOZINHOS, O IRÃ FORTALECE O PAPEL DA ONU COM APOIO DA GRÃ-BRETANHA, FRANÇA, CANADÁ E AUSTRÁLIA
O Embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, fala numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sede da ONU na cidade de Nova Iorque, em 28 de fevereiro de 2026, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão. (Heather Khalifa/Reuters)
O simbolismo para a administração foi imediato e explosivo.
Christopher Yeaw, secretário adjunto dos EUA para o controlo de armas e não-proliferação, disse aos delegados: “Em vez de convocar esta conferência de revisão para defender a integridade do TNP e responsabilizar o Irão, estamos elegendo o Irão como vice-presidente”. “Esta é uma situação vergonhosa e vergonhosa para a credibilidade da conferência.”
Os EAU e a Austrália apoiaram publicamente a objecção dos EUA, enquanto a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha também manifestaram preocupação, apontando para uma coligação mais ampla do que em disputas anteriores na ONU, onde os EUA permaneceram, na sua maioria, sozinhos na oposição à ascensão processual do Irão.
A turbulência diplomática segue o padrão anteriormente destacado pela Fox News Digital. Em 13 de Abril, o Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), um órgão de 54 membros que desempenha um papel central na definição da política da ONU e na nomeação de comités-chave, nomeou a República Islâmica do Irão para o Comité de Programa e Coordenação da ONU, que ajuda a moldar políticas sobre direitos humanos, direitos das mulheres, desarmamento e contraterrorismo, sendo os Estados Unidos o único país a opor-se formalmente.
AGÊNCIA DA ONU DESCOBRIU QUE O IRÃ AUMENTOU GRANDEMENTE SEUS ESTOQUES DE COMBUSTÍVEL NUCLEAR ANTES DO RETORNO DE TRUMP

O Embaixador do Irão nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, participou na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas realizada na sede da ONU na cidade de Nova Iorque em 28 de fevereiro de 2026, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irão. (Heather Khalifa/Reuters)
Durante o debate de segunda-feira, o enviado iraniano Reza Najafi rejeitou as críticas como “infundadas e politicamente motivadas”, acusando os Estados Unidos de hipocrisia e apontando para a história nuclear da América, ao mesmo tempo que defendia o direito de Teerão ao desenvolvimento nuclear pacífico. A Rússia também defendeu o Irão e o Embaixador Andrey Belousov opôs-se ao que chamou de politização da conferência.
A missão do Irã nas Nações Unidas recusou-se a comentar a Fox News Digital.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, disse à Fox News Digital que o secretário-geral “não estava de forma alguma envolvido na eleição de Estados-membros para cargos de liderança em várias conferências ou legislaturas”.
“Os Estados-membros são responsáveis pela eleição de outros Estados-membros e devem também ser responsáveis pelos resultados dessas eleições”, disse Dujarric. ele disse.
Ele acrescentou que o foco da ONU permanece na ameaça nuclear mais ampla, e não nas discussões processuais relativas à designação do Irão.
“Encorajamos fortemente todos os Estados-Membros que participam na Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear a concentrarem-se no que é mais importante: parar a proliferação e a ameaça das armas nucleares, que continua a ser uma ameaça global”, disse ele.
A nomeação do Irão surge num momento de crescente preocupação internacional sobre a trajectória nuclear do Irão. Embora os governos ocidentais e a Agência Internacional de Energia Atómica tenham dado o alarme sobre o enriquecimento de urânio do Irão até ao nível próximo de armas e disputas sobre inspecções, Teerão insiste que o seu programa é estritamente civil.
Os críticos dizem que o debate revela uma contradição estrutural no cerne do sistema da ONU: os blocos geopolíticos podem elevar estados sob escrutínio a posições de autoridade processual, mesmo em conferências dedicadas às normas que esses estados são acusados de violar.
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O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, fala aos delegados durante a reunião sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear na sede da ONU na cidade de Nova Iorque, EUA, em 27 de abril de 2026. (Eduardo Muñoz/Reuters)
A última conferência de revisão do TNP, em 2022, não conseguiu produzir um documento de consenso depois de a Rússia ter bloqueado o acordo, segundo a Associated Press, sublinhando como as principais divisões de poder estão a paralisar cada vez mais o processo de revisão do tratado.
Hillel Neuer, diretor-geral da UN Watch, disse à Fox News Digital que a votação refletiu o que chamou de uma erosão mais ampla da credibilidade institucional nas Nações Unidas.
“Isso faz parte de uma tendência perturbadora”, disse Neuer. “O Irão assume papéis importantes em todo o sistema da ONU, desde instituições de direitos humanos até comités-chave. Cada nomeação mina a credibilidade das instituições internacionais e reforça a percepção de que a realização de acordos políticos supera os padrões básicos de conduta.”
A Reuters e a Associated Press contribuíram para este relatório.



