Espera-se que um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão seja assinado no domingo, disse no sábado o presidente dos EUA, Donald Trump, aumentando as esperanças de um avanço diplomático após meses de conflito, tensões militares e negociações difíceis.
Na sua publicação na plataforma de redes sociais Truth Social, Trump disse que o acordo proposto abriria caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas estrategicamente mais importantes do mundo para o fornecimento global de energia.
“O acordo está programado para ser assinado amanhã e, imediatamente após ser assinado, o Estreito de Ormuz estará aberto a todos”, disse Trump.
Trump compara acordo proposto com acordo nuclear de 2015
O Presidente dos EUA observou que o acordo proposto é fundamentalmente diferente do Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA) de 2015, negociado durante a administração do antigo Presidente Barack Obama.
Segundo Trump, o novo regulamento visa garantir que o Irão não tenha armas nucleares em nenhuma circunstância.
Alegando que Teerão já não pretende desenvolver ou adquirir armas nucleares, o responsável disse que o acordo criaria salvaguardas para evitar qualquer futuro programa de armas nucleares.
Trump criticou repetidamente o acordo de 2015 e retirou os Estados Unidos do acordo durante o seu primeiro mandato, argumentando que o acordo não abordava adequadamente as preocupações sobre as ambições nucleares do Irão.
Alegações sobre o programa nuclear do Irã
Na sua declaração, Trump afirmou que a capacidade nuclear do Irão tinha sido efectivamente neutralizada e que o material nuclear restante seria tratado no futuro.
Ele afirmou que assim que a situação de segurança se estabilizar, o material nuclear encontrado nas profundezas do subsolo será eventualmente recuperado e destruído sob supervisão internacional.
As observações surgem após semanas de tensões crescentes, durante as quais os Estados Unidos realizaram ataques militares contra as instalações e infra-estruturas do Irão.
No entanto, a verificação independente das alegações de Trump relativamente ao estado do programa nuclear do Irão ainda não foi tornada pública.
Alerta de ação militar continua
Expressando o seu optimismo sobre o acordo proposto, Trump também reiterou que os Estados Unidos estão prontos para usar a força militar se as negociações falharem.
Ele disse que Washington espera um resultado pacífico e espera melhorar as relações com o Irão e outros países do Médio Oriente.
Ele também alertou que medidas alternativas poderiam ser tomadas caso os esforços diplomáticos fracassassem, mas não forneceu mais detalhes.
Os comentários reflectem a estratégia da administração de combinar o envolvimento diplomático com a pressão militar ao longo de todo o processo de negociação.
Semanas de combate precederam um grande avanço
O anúncio ocorre após um período tumultuado marcado por mudanças militares e esforços diplomáticos.
No início desta semana, os Estados Unidos lançaram vários ataques contra alvos no Irão, após a escalada das hostilidades entre os dois países.
As tensões aumentaram acentuadamente após a notícia da queda de um helicóptero Apache dos EUA, o que levou à intervenção militar retaliatória de Washington.
Trump também ameaçou novos ataques às infra-estruturas iranianas, incluindo as instalações de exportação de petróleo do país, antes de recuar em ações militares adicionais.
Primeiro-ministro paquistanês sinaliza acordo iminente
Os comentários de Trump foram feitos pouco depois do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, sugerir que um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão poderia ser concluído dentro de 24 horas.
As observações alimentaram especulações de que os negociadores tinham feito progressos significativos após semanas de conversações destinadas a transformar um frágil cessar-fogo num acordo de paz mais amplo.
Os Estados Unidos e o Irão concordaram com um cessar-fogo em 8 de abril, após semanas de hostilidades, e desde então iniciaram negociações sobre um acordo de longo prazo.
Foco global no Estreito de Ormuz
Um acordo bem-sucedido teria impactos significativos nos mercados energéticos globais, especialmente se resultar na reabertura total do Estreito de Ormuz.
A via navegável estratégica gere uma parte significativa das exportações mundiais de petróleo e gás, e as perturbações causadas por conflitos contribuíram para flutuações nos preços da energia e nas rotas marítimas.
Analistas dizem que um acordo de paz permanente poderia ajudar a estabilizar a segurança regional, restaurar a confiança nos mercados energéticos globais e aliviar as preocupações sobre um conflito mais amplo no Médio Oriente.
Embora a declaração de Trump tenha aumentado as expectativas, as autoridades iranianas ainda não anunciaram publicamente que o acordo final está pronto para ser assinado. Espera-se que os próximos dias sejam críticos para determinar se o acordo proposto se materializará e terá sucesso em pôr fim permanente ao conflito.