Declan Rice pode levar o Arsenal ao limite de uma conquista histórica do título. Ainda há tempo para Erling Haaland demitir o Manchester City lá. Mas o caso de Bruno Fernandes já foi feito. Ele tem sido o jogador excepcional da Premier League nesta temporada.
Com 19 assistências já na competição, o capitão do Manchester United está a uma distância do recorde estabelecido por Thierry Henry e igualado por Kevin De Bruyne. Quer ele os supere ou não, sua criatividade nesta campanha esteve em um nível diferente de todas as outras.
Fernandes criou 120 chances nesta temporada, segundo a Opta. Ele liderou as paradas da Premier League em todas as cinco temporadas completas anteriores no United, exceto uma – uma atrás de Trent Alexander-Arnold na outra – mas este já é seu maior total.
Para contextualizar, isso é quase o dobro do número de chances criadas pelo outro homem da lista. E embora a sua capacidade de fazer as coisas acontecerem em lances de bola parada faça parte do seu jogo – e nesta temporada – ele criou mais em jogo aberto do que qualquer outra pessoa em geral.
Foi um ano em que ele lidou com uma convulsão agora familiar. Ruben Amorim foi demitido em janeiro com dúvidas sobre a qualificação para a Liga dos Campeões. Sob o comando do seu compatriota, Fernandes foi frequentemente destacado para um papel mais profundo, mas ainda assim conseguiu impressionar a partir daí.
Voltando à sua posição favorita sob o comando de Michael Carrick, ele floresceu. Na verdade, ele esteve envolvido em mais gols do que qualquer outro jogador na Premier League desde meados de janeiro, marcando e criando todos os tipos de gols diferentes para um time que está rejuvenescido.
Algum favorito pessoal? Estar lá em Turf Moor para seu passe em ângulo para Benjamin Sesko. A explosão contra o Manchester City e seu passe disfarçado para Bryan Mbeumo quando os olhos sugeriam que ele espalharia a bola para Amad Diallo.
Foi o manequim que marcou para Calvin Bassey na direita antes de passar a bola para Sesko para o gol da vitória nos acréscimos no jogo dramático contra o Fulham. E que tal o passe de primeira para Matheus Cunha na vitória sobre o Aston Villa.
Não eram tanto as corridas que exigiam o passe, mas os passes que exigiam a corrida. Ele fez mais passes com chip do que qualquer outro jogador e tentou 50% mais liberações. É preciso imaginação para vê-lo e muita ousadia para tentar removê-lo.
Questionado sobre qual tem sido a chave para a sua boa forma, Carrick disse: “Acho que isso dá ao Bruno a plataforma para jogar. Como qualquer jogador, penso que estamos a tentar criar a estrutura e um alinhamento, na verdade, para tentar tirar o melhor partido de todos dentro dele.”
Ao colocar Fernandes “numa posição onde acreditamos que pode fazer a maior diferença”, a confiança foi recompensada. O United liderou a tabela durante o período de Carrick no comando e garantiu o retorno à Liga dos Campeões. Nenhuma equipe melhorou mais sua posição do que o United nesta temporada.
Haverá críticos mesmo agora. O habitual ataque fora de casa. Ex-jogadores questionando-o. Mas qualquer sugestão de que Fernandes carece de qualidades de liderança deveria ter sido rejeitada há muito tempo. Ele foi vítima da doença do United, não da causa.
Assim como Bryan Robson antes dele, Fernandes tem sido uma luz brilhante durante um período conturbado da história do clube. Mas os seus próprios padrões resistiram. Tanto os torcedores quanto seus companheiros apreciam isso. “Sinto que ele merece muito”, disse Cunha recentemente.
“Ele ajuda a todos. Acho que é um lindo capitão do clube. Ele passou por momentos difíceis e merece ter esses momentos lindos também. Que jogador, que cara. Ele merece o jogador do ano.” A Associação de Escritores de Futebol concorda.






