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100 espécies de animais antigos desconhecidos descobertos na China

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Quase uma centena de espécies até então desconhecidas de animais antigos que sobreviveram à extinção em massa há 500 milhões de anos foram desenterradas numa pedreira na China, numa descoberta “extraordinária” para os investigadores.

“Coletamos mais de 50 mil fósseis em uma pequena pedreira de 12 metros de altura, 30 metros de comprimento e 8 metros de largura”, disse à AFP Han Zeng, da Academia Chinesa de Ciências.

O principal autor do artigo que apresenta estas descobertas e publicado na quarta-feira na revista Nature sublinhou que este sítio, localizado na província de Hunan, no sul da China, é “extraordinário”.

Entre 2021 e 2024, os investigadores descobriram 153 espécies animais fossilizadas neste pequeno poço, 91 das quais são novas; Este tesouro fornece informações valiosas sobre um período misterioso da história do nosso planeta, quando, segundo os cientistas, esses animais passaram por um período em que o desenvolvimento da vida parou repentinamente.




AFP

“Tivemos uma experiência maravilhosa quando percebemos que esses animais estavam ali mesmo, na pedra”, lembra Han. “Muitos desses fósseis tinham partes moles, incluindo guelras, intestinos, olhos e até nervos”, acrescentou.

As espécies descobertas incluem ancestrais distantes de vermes, esponjas, corais e águas-vivas.

Eles também capturaram muitos artrópodes, uma família que vai desde os caranguejos modernos até os insetos; estes incluíam criaturas com olhos esguios e cobertas de espinhas, chamadas radiodons, os principais predadores da época.

A grande explosão da evolução

A vida surgiu na Terra há mais de 3,5 mil milhões de anos, mas durante a maior parte do tempo que se seguiu foi pouco mais do que uma camada de lama.

Depois veio o Cambriano, conhecido como o big bang da evolução, há cerca de 540 milhões de anos.

De repente, muitos dos grupos de animais que conhecemos hoje evoluíram e começaram a povoar os oceanos do mundo. Isto também diz respeito aos vertebrados, dos quais os humanos acabarão por fazer parte.

Esta explosão de vida terminou abruptamente há 513 milhões de anos, quando quase metade destes novos animais desapareceu.

Acredita-se que esta extinção em massa, chamada extinção de Sinsk, seja causada por uma queda nos níveis de oxigênio na Terra.

Os animais encontrados na pedreira da China datam de cerca de 512 milhões de anos atrás e representam a primeira grande descoberta de fósseis moles vivos logo após a extinção.

O pesquisador acrescenta que esses fósseis, chamados de “biota Huayuan” devido ao nome do distrito onde foram descobertos, “abrem uma janela para o que poderia ter sido”.




AFP

Escondido no porão

Michael Lee, biólogo evolucionista do Museu da Austrália do Sul que não esteve envolvido na pesquisa, acredita que “novos fósseis descobertos na China mostram que o evento de extinção de Sinsk afetou mais severamente as águas rasas”.

“O oceano profundo é um dos ambientes mais estáveis ​​ao longo do tempo geológico, assim como o porão de uma casa é protegido das mudanças sazonais e está sujeito a menos flutuações de temperatura do que um sótão”, imagem de Lee da AFP.

Han e sua equipe também ficaram surpresos ao encontrar alguns animais na pedreira chinesa observada no campo Burgess Shale, no Canadá, que remonta a um período inicial da explosão cambriana.

Isto mostra que estes animais antigos já eram capazes de cruzar os oceanos de quase metade do mundo.

A extinção de Sinsk não é uma das cinco extinções em massa que marcaram a história da Terra.

Mas Han acredita que há evidências de pelo menos 18 extinções em massa na história do planeta e pede maior atenção a estes eventos devastadores.

Especialmente porque os cientistas alertam que a Terra está atualmente em processo de uma nova extinção em massa, desta vez causada pelos humanos.

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