Os manifestantes iranianos intensificaram as suas manifestações em todo o país nas últimas 24 horas, entoando slogans anti-regime e dirigindo-se diretamente ao presidente Donald Trump. Imagens divulgadas na quarta-feira mostraram um manifestante em Teerã nomeando simbolicamente uma rua com o nome de Trump, enquanto outros vídeos incluíam apelos manuscritos que diziam “Não deixe que eles nos matem”.
Holly Dagres, pesquisadora sênior do Instituto Washington, postou o vídeo no
Os apelos ocorrem num momento em que os manifestantes enfrentam uma crescente repressão de segurança, incluindo o envio de unidades armadas e gás lacrimogéneo perto de grandes áreas civis em Teerão.
O líder da oposição iraniana exilada, Reza Pahlavi, disse que a actual agitação representa uma oportunidade histórica para acabar com a República Islâmica do Irão.
“Em todos estes anos, não vi uma oportunidade como a que vemos hoje no Irão”, disse Pahlavi numa entrevista publicada terça-feira no “Hannity”.
“O povo iraniano está mais do que nunca empenhado em pôr fim a este regime, como o mundo testemunhou nos últimos dias, o nível de manifestações não tem precedentes no Irão”, disse ele.
Afirmando que os protestos se espalharam por mais de 100 cidades, Pahlavi enfatizou o papel da classe mercantil tradicional do Irão e descreveu a evolução nos mercados do país como um ponto de viragem. “Estamos começando a ver cada vez mais deserções”, disse Pahlavi, acrescentando: “Em ambos os casos, o regime está em colapso e está muito próximo do colapso”.
Nas últimas 24 horas, o Iran International informou que os protestos e greves continuaram em todo o país, incluindo em Teerão, Tabriz, Qazvin, Kermanshah, Kerman, Shiraz, Falavarjan e Bandar Abbas. O Grande Bazar de Teerão continuou a ser um ponto central de agitação enquanto as autoridades respondiam com gás lacrimogéneo e mobilizações armadas, enquanto grandes multidões gritavam slogans contra a liderança iraniana.
As operações de segurança expandiram-se para áreas civis sensíveis. Vídeos publicados pela Iran International mostram gás lacrimogêneo sendo usado perto ou dentro do Hospital Sinai e do Plasco Mall, em Teerã.
O número de feridos e presos continuou a aumentar. A Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos, citada pelo Iran International na quarta-feira, informou que pelo menos 36 pessoas, incluindo 34 manifestantes e dois membros das forças de segurança iranianas, foram mortas desde o início dos protestos, e mais de 2.000 pessoas foram presas em todo o país. As autoridades iranianas não divulgaram números oficiais atualizados.
Novas imagens do dia anterior mostram manifestantes acendendo fogueiras nas ruas de Shiraz e gritando slogans “Morte a Khamenei”, referindo-se ao Líder Supremo Ali Khamenei. Os manifestantes em Qazvin foram ouvidos gritando “Forças policiais, retornem à nação”.
Os trabalhadores também se juntaram à agitação, com greves na refinaria de gás South Pars e encerramentos generalizados de lojas nos principais mercados de Teerão e Tabriz.



