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O evento regional acontece num momento em que a agenda comercial da Mercosul recupera o foco. Luiz Inácio Lula da Silva Após mais de duas décadas de negociações intermitentes e vários adiamentos, foi anunciada a assinatura do acordo com a UE. A assinatura foi apresentada como um dos marcos diplomáticos mais relevantes do ano para o Brasil, que busca encerrar sua pró-presidência com um gesto político no exterior.
O acordo criou uma das maiores áreas de livre comércio do mundoCom um mercado de mais de 700 milhões de pessoas e uma dimensão económica combinada de magnitude global. Os governos esperam aproveitar o contexto internacional fragmentado para transformar o Mercosul num ator comercial relevante com capacidade de negociação.
Para a Argentina, uma visita presidencial se enquadra na definição de: Embora reconheça que isto constitui uma oportunidade para reforçar os laços com a Europa e diversificar as exportações, o governo está a observar com cautela os efeitos do acordo em sectores sensíveis da economia local. A chegada de Miley ao Brasil também agrega um componente político, dada a relação tensa que mantém com Lula desde o início de seu governo.
Em Brasília, eles esperam que a presença da Argentina ajude a sinalizar a unidade do bloco. Lula procurará fechar o acordo com amplo apoio regional e evitar a imagem do colapso da integração sul-americana num momento tão crucial. Para a sua administração, a cimeira do dia 17 servirá de prelúdio protocolar à cerimónia do dia 20.
No entanto, por trás do entusiasmo permanece um conjunto de questões que atravessam os quatro parceiros. Nos últimos anos, os setores industriais do Mercosul reiteraram as suas objeções devido à disparidade tecnológica na Europa, mas os países europeus com forte peso agrícola têm reservas devido à concorrência dos produtos sul-americanos. O saldo final do acordo ainda suscita dúvidas em Bruxelas e nas capitais da região.
O governo entende que a cúpula servirá como plataforma para mostrar o compromisso com a inclusão global, uma das bandeiras da campanha de Miley. No entanto, a administração reconhece que qualquer benefício real do acordo só será visto a médio prazo, quando os capítulos comerciais e regulamentares começarem a ser implementados.
O Brasil, como anfitrião, aposta em uma mensagem de alinhamento externo e liderança regional. Para Lula, o acordo é uma forma de reativar os laços com a EuropaAprofundar a integração sul-americana na agenda de comércio exterior do Mercosul e deixar para trás anos de estagnação.
Assim, o final do ano encontra a aliança num ponto de viragem. Os governos chegarão à cimeira de Dezembro com expectativas, cautelas e com o entendimento de que a assinatura do acordo abrirá uma nova fase. A tradução do ímpeto diplomático em benefícios concretos pode ser um desafio para as economias que enfrentam tensões internas, necessidades de investimento e exigências crescentes de competitividade.



