Muitas pessoas são afetadas pelo câncer de mama, o tipo de câncer mais comum no Brasil e no mundo. Ao entrarmos no novo ano, o Brasil antecipa um aumento significativo de novos casos de câncer de mama, com muitos pacientes diagnosticados em estágio avançado. Isto retrata o importante papel da quimioterapia neoadjuvante (NAC), um tratamento concebido para reduzir tumores antes da ressecção cirúrgica. O sucesso da NAC, particularmente a obtenção do estado de resposta patológica completa (pCR) (nenhum vestígio de cancro permanece após o tratamento), é um foco principal. Estudos mostram que alcançar pCR está associado a uma melhor sobrevivência, independentemente do subtipo de cancro. No entanto, a verdadeira eficácia destes tratamentos em populações diversas e quotidianas, especialmente aquelas que normalmente não são incluídas em ensaios clínicos, continua a ser uma área crítica de investigação. Este estudo investiga esta área, utilizando dados do mundo real para avaliar padrões de tratamento e resultados numa população mais ampla de pacientes, incluindo aqueles normalmente excluídos dos ensaios clínicos.
O estudo foi orquestrado pelos professores Marcelo Antonini e Dr. Gabriel Duque Pannain do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira; Dr. André Mattar, Dra. Marina Diógenes Teixeira, Dra. Andressa Gonçalves Amorim e Dr. Luiz Henrique Gebrim do Hospital de Saúde da Mulher; e Fernanda Grace Bauk, do Hospital do Ipiranga. Dr. A professora Juliana Monte Real e o Dr. Reginaldo Coelho Guedes Lopes, também do Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira, são conhecidos pela abordagem minuciosa e metódica. A equipe de pesquisa coletou e revisou cuidadosamente dados de mulheres com câncer de mama não disseminado que receberam NAC. A análise detalhada, publicada na revista Breast, envolveu uma revisão retrospectiva dos registros dos pacientes, com foco nos resultados do tratamento e nas probabilidades de sobrevivência.
Aprofundando a sua abordagem, o Professor Antonini explica: “O nosso estudo incluiu uma grande coorte de pacientes que foram diagnosticados com cancro da mama sem propagação e tratados com NAC. Rastreamos cuidadosamente as taxas de desaparecimento completo do cancro após NAC e analisámos cuidadosamente o seu impacto na persistência geral da saúde e na existência livre de doença”. Esta abordagem permite uma compreensão abrangente dos efeitos do tratamento em diferentes grupos de pacientes.
O objetivo central deste estudo foi avaliar a taxa de PCR e seu impacto na sobrevida global e na sobrevida livre de doença. Os investigadores descobriram que uma grande proporção de pacientes atingiu pCR, uma observação digna de nota dada a diversidade do cancro da mama. Esta alteração foi particularmente pronunciada em pacientes com tumores HER-2 positivos que receberam trastuzumab, uma terapia específica.
“A taxa de desaparecimento completo do câncer e seu valor prognóstico variam dependendo do tipo de câncer de mama. Em nosso estudo, alcançar o desaparecimento completo do câncer pode ser considerado um sinal de um bom resultado clínico, pois foi associado a taxas mais altas de continuidade da saúde e sobrevivência livre de doença”, comentou o professor Antonini. Esta observação é crítica para a compreensão dos efeitos diferenciais do NAC.
Em termos de análise de sobrevivência, o estudo mostrou que os pacientes que atingiram o pCR tiveram uma probabilidade muito maior de permanecerem saudáveis e livres de doença durante cinco anos do que aqueles que não alcançaram o pCR. Um padrão semelhante foi encontrado na sobrevida livre de doença, enfatizando o significado prognóstico do pCR na terapia.
Este estudo é particularmente importante devido ao seu cenário do mundo real, fornecendo insights além do ambiente controlado dos ensaios clínicos. Ele destaca o papel do pCR como um marcador potencial para prever o resultado do tratamento em pacientes com câncer de mama que recebem NAC.
Finalmente, o Professor Antonini enfatizou que “os pacientes que conseguem o desaparecimento completo do seu cancro têm uma probabilidade significativamente maior de continuação da saúde e de sobrevivência livre de doença ao longo de cinco anos, em comparação com os pacientes que não alcançam este estatuto”. Esta declaração final destaca a correlação entre pCR e melhores resultados de sobrevivência. A pesquisa de Marcelo Antonini e sua equipe representa uma importante contribuição para o campo da oncologia, especialmente para os profissionais de saúde no Brasil e no mundo. Destaca a importância de estratégias de tratamento personalizadas e o papel do pCR como marcador substituto do resultado clínico no tratamento do cancro da mama.
Referência do diário
Marcelo Antonini, André Matar, Fernanda Grace Bowker Richter e outros. “Evidências do mundo real para tratamento quimioterápico neoadjuvante do câncer de mama em uma coorte multicêntrica brasileira: associação de resposta patológica completa com sobrevida global”, The Breast, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.breast.2023.103577.
Sobre o autor

Dr. Marcelo Antonini é Diretora do Programa de Residência em Cirurgia da Mama do Hospital do Servidor Público Estadual em São Paulo, Brasil. Doutor em Ciências da Saúde. Professor da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID).



