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Crítica de “The Blow”: poderoso drama de incesto francês

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Por seu emocionante primeiro longa-metragem O golpe (A greve), o roteirista e diretor Julien Gaspar-Oliveri escolheu um tema tão sombrio que muitos cineastas não tocariam nele com uma vara de três metros. E, no entanto, este drama de incesto cru e pungentemente honesto consegue lançar um pouco de luz na escuridão e mostra como é possível conviver com o trauma do abuso sexual. A comovente estreia de Gaspar-Oliveri é interpretada febrilmente pelo estreante Diego Murgia, que estrela ao lado do ganhador do Prêmio César Bastien Bouillon, e mostra que ele não é apenas um diretor talentoso, mas também alguém que não tem medo de enfrentar cenários difíceis.

O soco A história gira em torno de um jovem perturbador, Enzo (Murgia), que está se esforçando tanto para encontrar afeto nos olhos de seu pai, Anthony (Bouillon), que está disposto a ignorar a pior coisa que um pai poderia fazer ao próprio filho. Enzo passa grande parte do filme em um estado sufocante de negação, esperando, contra toda esperança, que o amor emerja de alguma forma dessa bagunça. Ele é tão vulnerável que você não consegue evitar de sentir sua dor – mesmo que ele acabe infligindo essa dor aos outros.

O golpe

A conclusão

Uma estreia poderosa aborda um assunto difícil.

Local: Festival de Cinema de Cannes (Semana da Crítica)
Derramar: Diego Murgia, Bastien Bouillon, Romane Fringeli, Héloïse Volle
Diretor: Julien Gaspar Oliveri
Roteiristas: Julien Gaspar-Oliveri, Claudia Bottino

1 hora e 46 minutos

De acordo com os comunicados de imprensa, Gaspar-Oliveri (que co-criou a série de sucesso do ensino médio) Aqueles que coram), a história (co-escrita com Claudia Bottino) foi parcialmente baseada em sua própria vida, o que parece óbvio dada a autenticidade emocional de seus personagens. A interpretação de Enzo por Murgia é o avanço do filme, embora Romane Fringeli, como Carla, a agressiva irmã mais velha do jovem de 19 anos, também se destaque. Bouillon, por sua vez, continua uma série de fortes reviravoltas (inclusive em A festa de aniversárioque disputou a competição principal de Cannes este ano), que começou em 2022 com o thriller de Dominik Moll A noite do dia 12.

A cena de abertura, filmada em close-ups granulados por Martin Rit, mostra Enzo e Carla dormindo juntos descuidadamente na cama, seus corpos subindo e descendo sutilmente a cada respiração. Parece ser um momento de felicidade entre os dois irmãos, que compartilham um vínculo próximo, embora volátil. Mas à medida que o filme avança e aprendemos mais sobre sua infância, essa cena ganha um significado completamente diferente: que pode inspirar tanto carinho quanto desprezo.

Como não há pais na foto e Carla está se mudando para um dormitório estudantil, Enzo parece ter toda a vida pela frente. Ajuda o fato de ele ter um relacionamento promissor e muito amoroso com sua nova namorada Laura (Héloïse Volle), cujos pais dirigem uma pista de kart que parece ser a principal fonte de entretenimento em seu subúrbio operário de Marselha.

Mas o estado de independência que Enzo alcançou tão jovem é quebrado quando o seu pai regressa a casa depois de cinco anos de prisão. Uma cena em que os dois discutem o futuro de Anthony com um oficial de condicional ressalta até que ponto Enzo se tornou o homem da casa, contratando seu próprio pai para ajudar a vender utensílios de cozinha nos mercados de pulgas locais.

Bouillon cria uma presença encantadora, embora ameaçadora, desde o início, retratando Anthony como um pai que está fora do circuito da vida familiar e civil há muito tempo, mas ainda quer assumir o controle. Em uma sequência que prenuncia o que está por vir, Enzo se esconde em um armário enquanto seu pai traz uma mulher do bar para casa e testemunha um comportamento sexual desagradável e depois repulsivo. Uma cena final em que o menino sobe na cama com Anthony revela muito pior, embora Gaspar-Oliveri demore para explicar o que exatamente aconteceu no passado.

O que mais me move? O golpe – cujo título francês pode significar tanto um golpe físico quanto um jovem gangster – descreve o despertar gradual de Enzo, de uma criança ainda muito apegada ao pai, geralmente por motivos terríveis, para um adulto que finalmente dá um passo para trás e percebe a verdade. Neste ponto, o trauma é tão avassalador que assume o controle. Isso ocorre em diversas cenas explosivas em que Enzo ataca quem o ama de verdade (sua namorada, sua irmã, que não quer nada com o pai) e procura em vão alguém para amenizar o sofrimento.

Murgia é uma revelação aqui, interpretando um canhão solto e ao mesmo tempo profundamente ferido, como um cachorro maltratado que ocasionalmente mostra os dentes e às vezes morde quem o alimenta. Os primeiros momentos do drama, onde Enzo faz o possível para agradar Anthony após sua libertação da prisão, oferecendo-se para preparar o jantar ou emprestar-lhe alguns dólares, quase partirão seu coração. Porque no fundo, Enzo sabe que por estar próximo do pai, está se distanciando cada vez mais de sua própria recuperação. É o constante vaivém entre o trauma e a redenção que importa O golpe uma experiência tão poderosa.

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