O impasse nas negociações entre o Irão e os Estados Unidos parece continuar, enquanto a intervenção americana não parece ter abrandado o regime de Teerão, pelo contrário.
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“O regime mudou (…), mas passámos da teocracia para a autocracia militar, onde os líderes, a Guarda Revolucionária, são muito radicais”, disse Sébastien Boussois, investigador especialista no mundo árabe e diretor do Instituto Geopolítico Europeu, em entrevista à LCN.
O especialista sugere que alguns líderes iranianos mais moderados foram postos de lado ou mesmo eliminados em semanas e substituídos por outros mais radicais.
“Talvez tenhamos o poder iraniano que se fortaleceu graças a esta guerra, nesse caso estamos em desvantagem, e por isso a situação é claramente radical, porque ainda há duas personagens ou dois países com posições muito claras. (…) Este não é um contexto ideal para negociação e discussão”, explica.
“Numa perspectiva global, ninguém tem uma solução milagrosa para superar uma República Islâmica que semeia a discórdia e o caos na região, por vezes com consequências para os seus próprios parceiros, e por vezes para outros países”, acrescenta o investigador especialista no mundo árabe.
Em segundo lugar, ele acredita que esta situação contribui para que Washington e Teerão estejam longe de encontrar um terreno comum.
Quando enfrentamos este regime iraniano mais radicalizado, enfrentamos uma administração Trump que recusa qualquer compromisso.
“Os partidos querem realmente o oposto um do outro”, sublinha Sébastien Boussois.
Guerra de atrito
Ele considera que uma longa guerra de desgaste económico é mais viável do que uma resolução pacífica e rápida do conflito.
“É hoje claro que os dois países não têm meios para travar uma guerra militar, que é muito cara e já custou aos Estados Unidos 25 mil milhões de dólares nos últimos dois meses”, afirma o diretor do Instituto de Geopolítica Europeia.
Além disso, segundo o especialista, o status quo já não é desejável.
“O mundo tem muito a perder com a situação atual e com o regime islâmico que persiste”, continua ele.
Por outro lado, acrescenta o investigador, as revoltas militares raramente permitem estabelecer processos democráticos perfeitos.
Assista ao vídeo acima para ver a entrevista completa.



