Farah Pahlavi, a viúva do antigo Xá do Irão, acredita que “o futuro do Irão não deve ser decidido fora das suas fronteiras” e que o apoio da comunidade internacional “deve ir para o povo e não para cálculos geopolíticos”, disse ela à AFP numa entrevista francesa na terça-feira.
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“O futuro do Irão não deve ser decidido fora das suas fronteiras. As potências estrangeiras têm os seus interesses, o povo iraniano tem o seu próprio destino”, diz a antiga imperatriz, que vive exilada em Paris desde que ela e o seu marido foram deportados em Janeiro de 1979, durante a revolução que levou o aiatolá Khomeini ao poder.
“Espero que a comunidade internacional apoie abertamente os direitos fundamentais dos iranianos: o direito de escolher os seus líderes, de se expressarem livremente, de viverem com dignidade e prosperidade. O apoio deve ir para o povo e não para cálculos geopolíticos”, insiste.
“Apoiar uma transição pacífica, promover o respeito pelos direitos humanos”, acrescenta à comunidade internacional. “Um Irão livre, estável e pacífico será um parceiro para o mundo, não uma fonte de tensão.”
A morte de Khamenei “não é o fim do sistema”
Farah Pahlavi conclui que a morte do Líder Supremo Ali Khamenei, três dias após o início do ataque israelo-americano ao Irão, foi “inegavelmente um momento de importância e importância histórica”, onde “o povo iraniano viveu durante décadas sob um regime que os privou de liberdades básicas e de dignidade, isolou o nosso país e enfraqueceu as suas instituições”.
“No entanto, o desaparecimento de um homem não significa automaticamente o fim de um sistema, por mais central que seja para a arquitetura do poder”, alerta.
“As estruturas do regime permanecem. A mudança só pode vir do povo iraniano, que deseja esmagadoramente acabar com o regime dos mulás”, acrescenta.
Farah Pahlavi considera que a “coisa decisiva” que o seu filho, Reza Pahlavi, que vive nos Estados Unidos, “preparou” é “a capacidade do povo iraniano de se unir em torno de uma transição pacífica, ordenada e soberana em direcção ao Estado de direito”.
“O futuro do Irão deve ser determinado pela livre vontade dos seus cidadãos e não pela violência ou pelo caos”, insiste.
O ex-Shahbanou também apelou aos líderes iranianos para “mostrar moderação e evitar derramamento de sangue”. “O mundo está observando”, avisa. “A violência apenas agrava as divisões e atrasa a necessária reconciliação nacional.”
Noutra entrevista exclusiva à AFP em Janeiro, Farah Pahlavi previu que “nenhum retorno” seria possível após as manifestações contra a República Islâmica em todo o país e disse estar convencida de que os iranianos “sairão vitoriosos deste conflito desigual”.
A repressão dos protestos em Janeiro deixou milhares de mortos, segundo ONG que temem que o número de mortos seja demasiado elevado.
De acordo com a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, a extensão da repressão foi “inimaginável”. “De acordo com o depoimento, com base nas informações que conseguimos recolher de ambos os lados do país, este é um assassinato em massa numa escala sem precedentes”, disse o seu empresário no início de fevereiro.



