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Cientistas rastreiam microplásticos fertilizantes dos campos às praias

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Pesquisadores da Universidade Metropolitana de Tóquio decidiram entender como o fertilizante revestido com polímero (PCF) usado em terras agrícolas acaba nas praias e na água do mar. Ao examinar fragmentos de PCF coletados nas costas do Japão, eles descobriram que muito pouco do plástico fertilizante retornava à terra através dos rios. Apenas cerca de 0,2% dos PCFs utilizados em áreas próximas foram detectados em praias próximas a estuários. No entanto, as coisas mudaram drasticamente quando as terras agrícolas foram ligadas ao oceano através de canais. Nestes casos, até 28% do plástico fertilizante foi encontrado levado para a costa. Estes resultados sugerem que as praias são um “ponto de encontro” potencialmente importante, mas negligenciado, no movimento global contra a poluição plástica.

A poluição plástica nos oceanos ameaça a vida marinha, os ecossistemas e a saúde humana. Os cientistas estimam que cerca de 90% do plástico que entra no oceano já não é visível à superfície. Acredita-se que grande parte tenha sido depositada no fundo do mar ou presa em vários “sumidouros” ambientais. Num esforço para reduzir o problema crescente dos resíduos plásticos, os investigadores estão a tentar descobrir como o plástico se move do local onde é utilizado, em terra, até onde vai parar no oceano.

Revestimentos de fertilizantes são uma importante fonte de microplásticos

Os fertilizantes revestidos com polímero (PCF) tornaram-se um importante contribuinte para a poluição por microplásticos. Esses fertilizantes são envoltos em uma fina camada de plástico que retarda a liberação de nutrientes, permitindo que durem mais tempo no solo. O PCF é comumente usado no cultivo de arroz no Japão e na China, mas também é adequado para culturas como trigo e milho nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa Ocidental. Pesquisas anteriores mostraram que 50-90% dos detritos plásticos encontrados nas praias japonesas provêm destes revestimentos de fertilizantes. Ainda assim, os cientistas têm uma compreensão limitada de como o PCF se desloca das terras agrícolas para os cursos de água e como este processo afecta o local onde o plástico acaba por se acumular.

Como os cursos de água afetam a poluição plástica

A equipe de pesquisa liderada pelo professor Masayuki Kawahigashi e pelo Dr. Dolgormaa Munkhbat conduziu uma extensa investigação de depósitos de fertilizantes plásticos em diferentes áreas costeiras. Examinaram 147 parcelas de pesquisa em 17 praias, concentrando-se em locais próximos de estuários e áreas onde as terras agrícolas deságuam directamente no mar.

Suas descobertas revelaram fortes contrastes. Perto da foz do rio, a quantidade de PCF encontrada na praia foi inferior a 0,2% da quantidade de fertilizante utilizada nos campos circundantes. Aproximadamente 77% do material permanece em terras agrícolas, enquanto os 22,8% restantes são transportados para o oceano. No entanto, em áreas que drenam diretamente dos campos para o oceano, 28% do plástico fertilizante acaba nas praias próximas. Os investigadores concluíram que as forças das ondas e das marés desempenham um papel fundamental no transporte deste plástico para a costa, transformando as praias em locais de armazenamento temporário de microplásticos. Como a maior parte do PCF que sai dos campos entra nos rios, a maioria das cápsulas plásticas acaba “perdida”.

Por que alguns plásticos não são mais descartados

Os pesquisadores também observaram mudanças físicas em muitos microplásticos fertilizantes coletados nas praias. Muitos pellets apresentaram vermelhidão e escurecimento significativos. A equipe usou espectroscopia de energia dispersiva de raios X (EDX) para detectar a adição de camadas de óxidos de ferro e alumínio à superfície do plástico. Esses materiais podem aumentar o peso da cápsula, diminuindo a probabilidade de ela ser carregada de volta à costa pelas ondas.

Embora ainda permaneçam muitas questões sobre como a poluição plástica se espalha no meio ambiente, esta pesquisa é um importante passo em frente. Ao mapear a forma como os plásticos fertilizantes viajam da terra para o oceano, os investigadores estão a ajudar a esclarecer como o PCF contribui para o problema global da escassez de plástico.

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