Um repórter perguntou ao presidente Donald Trump se ele havia discutido a operação com o presidente russo, Vladimir Putin, em uma entrevista coletiva no sábado, após o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e os ataques matinais ao país sul-americano.
Quando Trump disse não, o repórter perguntou: “Você está bravo com Putin agora?” Ao que o presidente respondeu: “Não estou entusiasmado com Putin”.
Por que isso importa
A Rússia, aliada de longa data da Venezuela, condenou os ataques dos EUA num comunicado no sábado, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros a escrever que a Venezuela “tem o direito de decidir o seu próprio futuro, e muito menos o militar, a interferência externa”.
Os EUA e a Rússia estão em lados opostos na Venezuela, com Moscovo a fornecer apoio militar e financeiro a Maduro.
A operação de sábado foi uma surpresa para a Rússia, com o ex-vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Andrey Fedorov, chamando-a de “tapa na cara de Putin” e prevendo uma mudança significativa no poder global sobre os recursos petrolíferos, informou a NBC News.
As críticas públicas de Trump a Putin marcaram uma rara ruptura na retórica entre Washington e Moscovo, apesar de os dois países serem actores importantes em múltiplos conflitos globais. Os comentários sublinham a mudança de alianças e o aumento dos riscos à medida que os EUA tentam remodelar o cenário político da Venezuela após a tomada de poder por Maduro.
Os comentários de Trump iluminaram os objectivos mais amplos da política externa dos EUA na América Latina e a resposta contínua à campanha militar da Rússia na Ucrânia, que começou em Fevereiro de 2022 e resultou em vítimas devastadoras.
O que saber
Durante a coletiva de imprensa de sábado, Trump foi questionado sobre seu recente telefonema com o presidente russo e se eles discutiram sobre Maduro.
“Nunca conversamos (sobre isso)”, respondeu o presidente. Questionado por um repórter se estava bravo com Putin, ele respondeu: “Não estou entusiasmado com Putin, ele está matando muita gente”.
O comentário foi feito horas depois de os militares dos EUA lançarem uma ampla operação “aérea, terrestre e marítima” envolvendo mais de 150 aeronaves, com Maduro e sua esposa extraditados para os Estados Unidos para enfrentar acusações federais, incluindo narcoterrorismo e crimes com armas.
A Rússia criticou a operação dos EUA e pediu clareza imediata sobre o destino de Maduro. Alguns responsáveis europeus e o secretário-geral das Nações Unidas (ONU) descreveram a intervenção como uma violação do direito internacional, enquanto os líderes regionais convocaram reuniões de emergência para resolver a situação.
A Reuters, citando várias fontes, informou que a vice-presidente da Venezuela, Delsy Rodriguez, foi levada de avião para a Rússia horas após o ataque. No entanto, vários meios de comunicação relataram que a agência estatal russa Tass chamou a presença de Rodriguez em Moscou de “falsa”.
Trump disse no sábado que Rodriguez concordou em trabalhar com os EUA, embora seu status exato não fosse claro. “A América vai governar o país até que possamos fazer transições seguras, adequadas e justas”, disse o presidente.
Ele acrescentou: “Chegamos lá agora. Teremos que executá-lo até que haja uma transição adequada”.
O que as pessoas estão dizendo
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia escreveu em um post X no sábado: “À luz dos relatos confirmados de que o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a sua esposa estão nos EUA, instamos fortemente a liderança dos EUA a reconsiderar a sua posição e a libertar o presidente legitimamente eleito de uma nação soberana e a sua esposa.”
Secretário de Defesa Pete Hegseth Ele disse em entrevista coletiva no sábado: “Nicolás Maduro teve sua chance… ele encontrou o que procurava. Bem-vindo a 2026, e a América está de volta sob o comando do presidente Trump.”
O que acontece a seguir
Espera-se que Maduro chegue a Nova York ainda no sábado para ser julgado por acusações federais.
É provável que o escrutínio internacional se intensifique à medida que os líderes e organizações mundiais apelam à clarificação das intenções dos EUA e a um roteiro claro para restaurar a soberania da Venezuela.
Estão planeados protestos em várias cidades contra a intervenção dos EUA e estão a ser realizadas reuniões de emergência nas Nações Unidas para discutir a legalidade e potenciais consequências da operação.



