O processo acontecerá em Santa Cruz e terá início no dia 3 de março de 2026, mas as famílias continuam exigindo justiça para os 44 tripulantes.
Oito anos se passaram desde que o submarino ARA San Juan David Melian, da região de San Andrés, departamento de Jiménez, partiu de Ushuaia com destino a Mar del Plata com uma tripulação de 44 tripulantes. Uma semana depois, em 15 de novembro de 2017, a Marinha registrou seu último contato com o navio em meio a uma forte tempestade no Atlântico Sul. Desde então, toda a nação está paralisada por uma busca agonizante que combina esperança, incerteza e dor.
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A operação de busca durou meses e tornou-se a mais complexa da história naval argentina com a participação de mais de uma dezena de países. Somente em 17 de novembro de 2018 foi confirmada a descoberta do submarino a cerca de 1.000 metros de profundidade.Comodoro fica a 597 quilômetros a leste de Rivadavia e fora da Zona Econômica Especial.
Dias atrás, surgiu um desenvolvimento importante no nível judicial: O Tribunal Federal de Cassação Penal negou o pedido de transferência do julgamento para Mar del Plata E confirmou que o processo decorrerá na província de Santa Cruz. O pedido foi apresentado após denúncia de Luis Alberto Tagliapietra, pai de um dos tripulantes.
A audiência oral terá início em 3 de março de 2026. Antes dessa data, o Tribunal Oral Federal de Comodoro Rivadavia marcou uma audiência preliminar para o dia 4 de dezembro, onde serão definidas as provas centrais do processo.
A busca é atravessada por irregularidades
Desde o primeiro momento, o desaparecimento da ARA San Juan foi cercado de contradições, atrasos e informações confusas. O caso chegou à imprensa apenas na noite de 16 de novembro de 2017, e foi oficializado dois dias depois, quando a Marinha anunciou a ativação do protocolo de busca e salvamento.
Pouco depois, o governo de Mauricio Macri aceitou a ajuda internacional, o que permitiu a intervenção de 18 países e a mobilização de mais de 37 navios e aviões, juntamente com cerca de 4.000 pessoas. Trabalhamos em uma área de busca igual ao território da EspanhaA chance de sobrevivência era pequena.
Em 23 de novembro, a Marinha confirmou ter detectado um “pequeno e violento incidente anômalo singular” que havia sido relatado no mesmo dia do desaparecimento. Embora não tenha havido menção oficial às mortes na época, parentes deixaram o briefing dizendo que um total de 44 marinheiros haviam morrido. Em 30 de novembro, o governo cancelou a busca por sobreviventes.
As famílias condenaram o mau estado do submarino, as falhas na sua manutenção, a retenção de informações e o abandono durante a fase de resgate. Em 18 de julho de 2019, uma comissão investigativa bicameral concluiu que o governo de Macri era responsável política e administrativamente.Principalmente do então Ministro da Defesa Oscar Aguad. Mas a minoria dominante rejeitou essa interpretação.



