Far-Flung Postcards é uma série semanal em que a equipe internacional da NPR compartilha momentos de suas vidas e trabalhos ao redor do mundo.
Neste porto, as coloridas ripas de madeira sobem suavemente até às rochas, onde a pelagem selvagem – e suspeitamente densa – do cabo se aquece ao sol, à espera dos resultados da captura diária que os pescadores trouxeram furtivamente com um sorriso e um suor amarelo naquela manhã.
Kalk Bay, uma pequena cidade no Oceano Índico com um clima boêmio, a cerca de 40 minutos de carro do centro da Cidade do Cabo, é um dos meus lugares favoritos. Ela rasteja sob a sombra das montanhas cobertas de fynbos e possui alguns restaurantes e bares atmosféricos à beira-mar, onde, na maré alta, as ondas batem nas janelas dos clientes – e às vezes o azarado cliente se molha!
Há também uma livraria independente, duas galerias de arte e uma multidão de surfistas devotos e hippies idosos (incluindo meu pai).
Tal como a região do Cabo, Kalk Bay é um caldeirão com uma história complexa. Em 1700, colonos holandeses chegaram à Baía de Kalk, que mais tarde foi ocupada por colonos britânicos, que a transformaram num importante centro baleeiro.
Mas foi a chegada de 18 mil escravos emancipados – que trouxeram os comerciantes da Companhia Holandesa das Índias Orientais do que hoje é a Malásia e a Indonésia – bem como de marinheiros filipinos que abandonaram o navio que fez de Kalk Bay o centro da indústria pesqueira. Alguns dos pescadores hoje são seus descendentes.
Apesar de Kalk Bay ser popular e turística hoje em dia, ainda é um verdadeiro porto em funcionamento – onde pescadores castigados pelo tempo fumam, brincam e juram atirar-se em pedaços dos seus corpos de focas.
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