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Eleições e mercados: três cenários para as carteiras argentinas

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Fora do evento específico de domingo, o que será central será a leitura do apoio do mercado ao programa económico e a capacidade política do governo para construir consensos.

Por Matías Waitzel no jornal mbito
O mercado argentino continua a experimentar uma volatilidade extrema que nunca vi nos meus 8 anos lidando com os mercados de capitais no período que antecedeu as eleições legislativas. Os investidores oscilam entre os resgates trazidos pelo novo estímulo económico dos Estados Unidos e as incertezas políticas. O contraste entre os dois – apoio externo e fragilidade interna – explica a atual dinâmica dos preços e prepara o terreno para a Lua, que, segundo todos os analistas, será de movimentos verticais.

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O anúncio do fundo norte-americano, liderado por Scott Bessent, foi categórico: uma troca de US$ 20 bilhões, à qual se acrescentaria outro envelope com bancos privados no mesmo valor, elevando o auxílio total para US$ 40 bilhões. Esta medida é inédita nos últimos 20 anos para os países emergentes e que em termos imediatos limpa o horizonte de pagamentos até 2027. O próprio Tesouro americano já intervém comprando pesos no mercado local, algo reservado até agora apenas para moedas fortes como moedas ou dinheiro, num tipo de apoio inusitado.

Mas o tom mudou quando Trump associou expressamente a continuidade desse apoio ao sucesso das eleições do partido do governo. Suas palavras – “vamos apoiar enquanto Milei vencer” – traduziram-se em condições políticas e no efeito imediato: os títulos em dólares caíram até 8%, os ADRs afundaram mais de 10% e o dinheiro saltou para 1.470 com um acordo, ampliando a diferença para mais de 8%. O mercado local foi mais uma vez lido em termos binários: a continuidade ou ruptura do apoio externo, com os preços a ajustarem-se em conformidade.

Embora Trump tenha posteriormente procurado moderar as suas declarações nas redes sociais, esclarecendo que se referia às eleições presidenciais de 2027 e não às legislativas deste mês, o estrago já foi feito. Os investidores dentro dos políticos locais internos mais uma vez precedem toda a situação económica. Mesmo no mês de setembro a inflação esperada (2,1%) e a desaceleração do núcleo comum, as atenções do nível político estiveram completamente ocupadas.

Os portfólios podem ser feitos em três cenários;

Negando a salada (um golpe decisivo para o partido no poder, como aconteceu no PBA): envolveria uma nova correção nos títulos soberanos e nas ações locais, com preferência por posições mais defensivas em dinheiro dos EUA, ONs de primeira linha (Pampa, Telecom, YPF, Vista, Loma, Arcor, TGS) ou diretamente em ativos offshore.

Uma salada positiva (uma vitória clara): abriria a porta para uma forte compressão em cadeias longas, especialmente GD35 e AE38, em penalidades iguais e grandes potenciais de inversão. Ao mesmo tempo, apoiaria a convergência das ações bancárias e energéticas, dois setores com elevado beta e sensibilidade às tendências do mercado.

Uma salada média (para alguns pontos): mesmo nesse caso, espera-se uma certa recuperação, para que o partido do governo possa somar assentos, e com eles a capacidade de conquistar parcerias que permitam promover a agenda de reformas.

Para os títulos do tesouro corporativo, é uma oportunidade de utilizar altas taxas em pesos ou estabelecer diretamente hedge cambial de títulos atrelados ao dólar, instrumento que tem destaque nos títulos do tesouro como alternativa à pressão sobre a curva do peso. Fora do evento específico de domingo, o que será central será a leitura do apoio do mercado ao programa económico e a capacidade política do governo para construir consensos. Relatórios mais recentes alertam que existe um risco não só no curto prazo, mas também na implementação de reformas estruturais no segundo evento. O partido no poder precisa de governabilidade e apoio legislativo para manter o equilíbrio fiscal e avançar com mudanças fundamentais.

Por fim, a Argentina coloca-se mais uma vez no meio de um teste clássico: a possibilidade de que a confiança externa que foi abalada, neste caso a ajuda financeira dos EUA, possa ser transformada num rumo digno do risco de queda do país, com a ajuda de recursos e da recuperação do crédito económico. Mas a história mostra que sem consenso interno ou estabilidade política, o financiamento externo é geralmente apenas um alívio temporário. O mercado, percebendo isso, se prepara para a tônica da Lua, que pode dar o tom para os próximos meses.

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