Nestas três décadas, a China tornou-se uma potência regional com características de hegemonia global.
Por Norberto Cansani e Ezequiel Ramoneda no Jornal Clarin
Uma destas grandes transformações do sistema internacional pós-Guerra Fria foi a deslocação do motor do crescimento económico global do Ocidente para o Oriente e a mudança do centro do poder global do encolhimento do Atlântico Norte para o Pacífico Norte expandido.
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Em princípio, a China tornou-se uma potência regional com características de hegemonia global nestas três décadas, promovendo actualmente os seus princípios de Comunidade de Destino Partilhado delineados em 2011, promovendo a sua Iniciativa Cinturão e Rota desde 2013, e expandindo o Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas. Os membros fundadores são atualmente 109 espalhados pelos cinco continentes. Juntamente com a China, a Índia posicionou-se como a outra grande potência da região com uma civilização sustentável através dos seus princípios de autonomia estratégica e coexistência pacífica.
Além disso, começando pelo Banco Asiático de Desenvolvimento criado em 1966, começando pelo Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), hoje um dos principais promotores do processo de regionalização Indo-Pacífico, devemos considerar o Japão como um grande produtor de interdependência regional Ásia-Pacífico. A Coreia do Sul e a Austrália assumiram o papel de potências médias responsáveis, empenhadas em proteger os bens públicos globais. Finalmente, os onze países do Sudeste Asiático que defendem o multilateralismo alternativo concentram-se hoje num processo de integração bem-sucedido da ASEAN.
Um mero resumo tenta apresentar o panorama mais complexo daquela região do mundo, ciente de que não faz justiça refletir os desafios e conquistas dos países asiáticos nos últimos 30 anos.
Neste contexto, o papel dos atores não governamentais é mais relevante, como promotores de maior interdependência ou como geradores de entendimentos que fortalecem os laços entre os países e aproximam as regiões. Na Argentina, no final da década de 1980, a tradição de estudos históricos dos povos da Ásia e da África, herdada do Orientalismo periférico e continuada pelos interesses do Terceiro Mundo, convergiu com a tradição dos estudos internacionais, dando origem a departamentos acadêmicos dedicados aos estudos da Ásia e do Pacífico. Entre estes, vale destacar o Departamento Ásia e Pacífico do Instituto de Relações Internacionais da Universidade Nacional de La Plata.
Criado em 1991, este departamento é reconhecido como um ator internacional que, desde a Academia, tentou e continua a contribuir para a inserção externa da Argentina nos países da Ásia e do Pacífico. Com a nossa presença, quase todos os anos nas últimas décadas, pudemos confirmar o extraordinário desenvolvimento das sociedades asiáticas e a importância estratégica do nosso país no desenvolvimento de laços mais profundos com aquela região do mundo.



