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Painel da Suprema Corte do Brasil rejeita por unanimidade o apelo de Bolsonaro e mantém sentença de 27 anos

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SÃO PAULO (AP) – Os juízes do painel da Suprema Corte do Brasil que analisa o recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro rejeitaram por unanimidade seu pedido na sexta-feira.

O juiz Alexandre de Moraes, relator do caso, rejeitou todos os argumentos da defesa, chamando-os de “impossíveis” e disse não haver omissões no veredicto. Posteriormente, foi seguido pelos juízes Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

O painel tem até 14 de novembro para submeter seus votos, e a decisão não será definitiva até então. Embora improvável, os juízes poderão alterar os seus votos antes disso.

Bolsonaro foi condenado em setembro por tentativa de golpe após sua derrota nas eleições de 2022 e sentenciado a 27 anos e três meses de prisão. Ele está em prisão domiciliar desde agosto.

Sua equipe jurídica apelou em 28 de outubro, numa tentativa de reduzir a sentença. A defesa argumentou que Bolsonaro não deveria ser condenado tanto por organizar um golpe como por tentar abolir violentamente a democracia, argumentando que as acusações se sobrepõem e que as sentenças cumulativas são injustas.

Bolsonaro negou irregularidades. Ele foi condenado por tentativa de golpe depois de perder a disputa de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma conspiração que os promotores alegaram incluir planos para matar Lula. Foi considerado culpado de outras acusações, incluindo participação numa organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado de direito democrático.

Eles também citaram o juiz Luiz Fux, a única voz dissidente no painel de cinco membros que condenou Bolsonaro, argumentando que, embora Bolsonaro tenha tentado um golpe, ele “interrompeu deliberadamente o curso dos acontecimentos” e não deu continuidade.

Porém, Fux já deixou o painel e não participará da análise dos recursos.

De Moraes afirmou que havia provas suficientes para provar que Bolsonaro tinha conhecimento da trama golpista que visava mantê-lo no poder.

“Ficou ainda demonstrado que o recorrente agiu de forma livre e deliberada para difundir informações falsas sobre o sistema de votação eletrónica e para redigir um decreto de golpe de Estado, o que constituiu a prática de um golpe de Estado e uma tentativa violenta de abolição do Estado de Direito”, disse.

Bolsonaro só começará a servir depois de esgotados os recursos.

O julgamento ganhou as manchetes globais. O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou uma tarifa de 50 por cento sobre as importações brasileiras, citando em parte o caso de Bolsonaro, que ele chamou de “caça às bruxas”.

Desencadeou uma acentuada deterioração nas relações entre os Estados Unidos e o Brasil, que os especialistas descreveram como o ponto mais baixo nos seus mais de 200 anos de história.

As relações melhoraram. Lula e Trump conversaram por telefone e depois se encontraram no mês passado na Malásia, na cúpula da ASEAN.

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