Um analista prevê que com a captura de Nicolás Maduro, os Estados Unidos estão mais do que nunca a adoptar a posição de um país despótico que impõe as suas leis em todo o continente americano e mesmo em todas as partes do planeta.
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“Os Estados Unidos tornaram-se oficialmente um Estado pária”, disse Romuald Sciora, diretor do Observatório Político e Geoestratégico dos EUA no Instituto de Assuntos Internacionais e Estratégicos (INIS), numa entrevista à LCN.
Embora a Venezuela esteja livre de um tirano, aos olhos de muitos observadores a abordagem dos EUA chocou muitos.
“O que estamos a assistir é à aplicação desta lógica (…) por esta administração: destruir tudo o que resta do sistema estabelecido em 1945, ou seja, reconduzir-nos a uma ordem internacional bismarckiana, em referência ao Chanceler Bismarck, e a uma ordem internacional mais semelhante à que conhecíamos no final do século XIX e início do século XX, uma ordem em que as relações bilaterais têm precedência “Estado a Estado”, onde ignoramos acordos internacionais, multilaterais organizações como a ONU e as alianças são da lei de segunda ordem do mais forte”, argumenta Sciora.
O último golpe na Venezuela não é o primeiro passo da administração Trump na sua estratégia imperialista.
“Quando Trump ameaçou anexar a Groenlândia à força no início de 2025, ele iria avançar. Esta não é a primeira vez que os EUA se escondem atrás da desculpa de exportar a nossa democracia. O que você tem é da minha conta, me dê ou quebro sua cara. Quando ele impôs um imposto de 50% ao Brasil, estávamos mais uma vez envolvidos num comportamento mafioso”, continua Romuald Sciora.
“Ele não se escondeu mais uma vez atrás da desculpa dos maus canadenses ou dos maus europeus que precisam ser tributados. Não, você quer derrubar meu amigo Bolsonaro, eu vou tributar você em 50 por cento. Então é a mesma coisa hoje. Além disso, o discurso de Trump é um discurso de gângster. Se a Venezuela não nos der o que queremos, começaremos de novo”, acrescenta.
Em segundo lugar, ele não acredita que as críticas a Donald Trump, especialmente ao presidente mexicano, mudem alguma coisa.
“Nada disto deterá Donald Trump. Pelo contrário, declarações tão justas, nas quais o presidente mexicano tem toda a razão, só podem fortalecer o presidente, o seu vice-presidente e toda a sua gangue que quer impor a sua vontade ao hemisfério ocidental, ao continente americano. Sabemos que Cuba está na mira dos Estados Unidos, da Colômbia e da Gronelândia. Agora a questão é: o Canadá estará novamente na mira de Washington?” pergunta o especialista em política internacional.
Assista ao vídeo acima para ver a entrevista completa.



