Emmanuel Macron chegou quinta-feira a Roma e será recebido pela primeira vez no Vaticano na sexta-feira por Leão XIV, quase um ano depois da eleição do primeiro papa norte-americano e em plena guerra no Médio Oriente, onde ambos têm defendido uma solução diplomática.
• Leia também: Páscoa: Papa apela “aqueles que têm o poder de iniciar guerras” a “escolherem a paz”
No final do dia, o presidente francês chegou à sede da comunidade católica de Sant’Egidio em Trastevere, onde chegou o seu amigo Andrea Riccardi, canal diplomático não oficial do Vaticano, muito activo no Médio Oriente e nas questões humanitárias.
Quando questionado se veio com uma mensagem de paz, respondeu: “Sim, e também para ver meus amigos em Sant’Egidio”.
Às 10h da manhã de sexta-feira (8h GMT), ele será recebido no palácio apostólico pelo papa nascido em Chicago, que é mais sensato e comedido do que seu antecessor argentino Francisco, cujo legado social ele continua. Não há planos de se reunir com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.
Esta audiência papal (a quarta de Emmanuel Macron depois das com Francisco em 2018, 2021 e 2022) faz parte de uma “visita republicana e secular” que abordará questões internacionais, bem como o multilateralismo, a regulação da inteligência artificial, o clima ou a ajuda humanitária, uma questão importante para o Papa.
Os dois homens nunca se encontraram, mas falaram por telefone em maio de 2025, pouco depois de Robert Francis Prevost ter sido eleito chefe da Igreja Católica. Nesta ocasião, o chefe de Estado francês disse que partilha com o Papa “a sua paixão pela conciliação da luta contra a pobreza e pela protecção do planeta”.
Para Emmanuel Macron, este encontro marca também uma mudança de estilo e de interlocutor depois de ter mantido uma relação próxima e direta com François, com quem conversou oficiosamente.
Saindo do “caos”
O vaticanista italiano Marco Politi, autor do livro “Francisco, a Igreja Rasgada”, disse à AFP que se tratava de uma “troca pessoal e intelectual” que vai além de uma reunião diplomática.
Com a presidência de Trump e a guerra no Irão, “entrámos numa era de brutalidade e caos a nível internacional”, acrescenta: “Mas Macron e Léon são duas personalidades (…) que querem reconstruir a comunidade internacional com base em regras”.
Leão nas últimas semanas
Coincidentemente, este encontro ocorreu no século XIV. O primeiro encontro de Leo aconteceu três dias antes de sua visita à Argélia. Segundo a imprensa argelina, Emmanuel Macron poderá aproveitar a oportunidade para implorar a libertação do jornalista francês Christophe Gleizes, detido desde junho de 2025.
O Eliseu prevê um encontro “tete-a-tete” que permite “transmitir uma série de mensagens” sem confirmação direta.
Próxima visita?
Francófono e francófilo, Leo
Emmanuel Macron está acompanhado por uma delegação, incluindo Jean-Marc Sauvé, antigo chefe da Comissão Independente sobre Abuso Sexual na Igreja (Ciase) em França; Isto é um sinal de que a delicada questão da violência sexual na Igreja continua a ser uma prioridade aos olhos do Eliseu.
Ciase nunca foi oficialmente reconhecida pelo Papa Francisco, apesar da apresentação do relatório chocante em 2021 que revelou a extensão sistémica da violência dentro da instituição.
No meio de um debate em França, a questão do fim da vida e da assistência à morte também precisa de ser abordada. O Vaticano considera a eutanásia “um crime contra a vida humana” e o suicídio assistido um “grande pecado”; Quem decide recorrer a ela não pode receber os sacramentos.
Segundo uma fonte diplomática, Emmanuel Macron deverá aproveitar o encontro para convidar oficialmente o papa a França, visita solicitada pelo cardeal Jean-Marc Aveline, presidente da conferência episcopal.
Apesar de três viagens ao território francês (Estrasburgo, Marselha e Ajaccio), o Papa Francisco nunca fez uma visita oficial a França e recusou-se a assistir à reabertura da catedral de Notre-Dame de Paris no final de 2024.



