As autoridades iranianas prenderam quase 200 pessoas em todo o país sob acusações relacionadas com a guerra EUA-Israel, disse na quinta-feira um grupo de direitos humanos com sede nos EUA.
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A Agência de Informação de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos EUA, afirmou que os detidos foram acusados de operar nas redes sociais, enviar conteúdos para meios de comunicação estrangeiros, espionar e perturbar a ordem pública, e afirmou que a sua avaliação se baseava em relatórios oficiais.
A capital, Teerã, disse que pelo menos 195 pessoas foram presas em todo o país, inclusive no centro e noroeste do país.
A HRANA anunciou que, num caso, o serviço de inteligência da Guarda Revolucionária prendeu 10 pessoas que filmaram os locais dos tiroteios durante os ataques e enviou essas imagens à mídia estrangeira, e divulgou um vídeo contendo as “confissões forçadas” dessas pessoas.
O poderoso chefe da polícia nacional, Ahmad Reza Radan, alertou esta semana os manifestantes que seriam tratados como “inimigos” e fuzilados, dizendo que as forças de segurança “têm os dedos no gatilho”.
“Faremos chorar as mães, seja em casa ou no estrangeiro, que têm a ideia maluca de que algo precisa ser feito no caos”, alerta um apresentador de televisão estatal numa citação que se tornou viral nas redes sociais.
A guerra começou poucas semanas depois de protestos sem precedentes contra a República Islâmica terem sido reprimidos, matando milhares de pessoas e prendendo dezenas de milhares, segundo grupos de direitos humanos.
Os activistas expressaram preocupação com o risco de uma nova onda de repressão no contexto da guerra.
“A República Islâmica tem um histórico de aproveitar a sombra da guerra e dos momentos de crise para intensificar a pressão interna”, disse Bahar Ghandehari, do Centro para os Direitos Humanos no Irão (CHRI), sediado nos EUA.
“As autoridades equiparam cada vez mais a dissidência com a ‘espionagem’ ou caracterizam os críticos como ‘inimigos do Estado’, criando uma cobertura política para uma dura repressão”, disse ele à AFP.



