Circularam rumores na semana passada sobre a intenção do presidente dos EUA, Donald Trump, de se retirar do Acordo Canadá-Estados Unidos-México (CUSMA). Mas tal cenário parece improvável, segundo um professor da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP).
• Leia também: Guerra comercial: o México pode salvar o Canadá
• Leia também: Rumor de saída de Trump do CUSMA: “Isso seria suicídio político para ele”
• Leia também: Negociações CUSMA: Bessent adverte Carney para não se envolver em conflitos para ‘marcar pontos políticos fáceis’
Nelson Michaud explica que Donald Trump “absolutamente não se retirará” do CUSMA num futuro próximo, uma vez que o acordo estipula um aviso prévio de seis meses antes de qualquer retirada formal.
“Portanto, já temos um projeto jurídico dentro do acordo, o que nos impede de bater a porta daquela maneira durante a noite com uma decisão improvisada”, disse ele na LCN no sábado.
O professor lembra ainda que os países signatários já estão envolvidos no processo de revisão, previsto a cada seis anos, para atualizar o acordo comercial. Segundo ele, o momento desses rumores em meio às negociações não pode deixar de ser importante.
“Há uma dupla vantagem para o presidente Trump jogar esta carta”, disse ele. (…) Se esse boato for verdade, parte de sua base ficará feliz. Ou ele pode dizer: “Olha, eu estava pronto para jogar tudo na lixeira, mas você vê que eu (não joguei), então você tem que se contentar com isso.” Então ele também pode usar isso como argumento de negociação.”
Michaud diz que não está surpreso com tal estratégia, dado o gosto do presidente pelo confronto nas negociações. No entanto, ele nos convida a não dar “valor forte” a estes rumores.
“Você nunca sabe em que pé vai dançar com o presidente Trump. Ele é um homem extremamente imprevisível. (…) Normalmente, quando ele diz algo, ele flutua um pouco, pode haver coisas sobrando. Talvez seja apenas um argumento para assustar as pessoas do pior, e qualquer coisa menos do que o pior pode ser vista como um ganho”, disse ele.
A versão atual do CUSMA entrou em vigor em 1º de julho de 2020, substituindo o NAFTA, que estava em vigor desde 1994. O acordo prevê uma revisão em 1º de julho, seis anos após sua adoção, quando Canadá, Estados Unidos e México deverão se reunir para considerar a aplicação.
Clique no vídeo acima para assistir a entrevista completa.



