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Cuba em perigo: mais quebequenses estão desistindo de viajar

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Cuba, a ilha preferida dos veraneantes do Quebeque, enfrenta hoje grandes dificuldades. As ameaças de Donald Trump, cortes de energia, vírus preocupantes… Revista Fui lá para ver os efeitos da crise.

VARADERO | O turismo está em queda livre em Cuba, onde diversas crises estão levando cada vez mais quebequenses a escolher outros destinos ensolarados ou até a desistir de viajar.

“Número 38para No voo da Air Transat para Varadero, Joanne Caron diz com tristeza: “Esta é a hora em que irei a Cuba, mas também pode ser a última”.

Os quebequenses amam Cuba. Eles representam 42% de todos os turistas que por lá passam.

Como muitos, Caron, uma aposentada de Mascouche, teme as repercussões na ilha das recentes mudanças de humor de Donald Trump.




Ariane Brisson (canto superior esquerdo), o seu amigo Jordan Côté (canto inferior esquerdo) e os seus entes queridos de Trois-Rivières não tiveram medo de ir para a costa cubana, apesar das ameaças que pairavam sobre a ilha.

Foto de Nora T. Lamontagne

No domingo passado, o Presidente dos Estados Unidos prometeu a Cuba “não mais petróleo nem dinheiro” da Venezuela, um dos seus principais aliados e cujo presidente foi detido pelas autoridades norte-americanas no início de janeiro.

Sem o petróleo venezuelano, o transporte e toda a rede elétrica da ilha ficam comprometidos.

Os EUA não escondem o seu desejo de derrubar o regime que Fidel Castro estabeleceu há 67 anos.

Some-se a isso a epidemia de chikungunya, um vírus que causa febre e dores nas articulações, uma economia em declínio e cortes de energia cada vez mais frequentes (veja outros textos).

Golpe duro para Cuba

Embora os grandes complexos hoteleiros tenham sido relativamente poupados às perturbações até agora, é evidente que muitos turistas hesitam em passar férias aqui.

“Nunca vi Varadero tão vazia”, diz Claudia Reyes, uma agente de viagens de origem cubana que vive em Toronto, quando a encontra num autocarro turístico.




Foto de Nora T. Lamontagne

Embora Cuba acolhesse mais de 4 milhões de viajantes um ano antes da pandemia, em 2025 este número tinha caído quase para metade.

Isto é um verdadeiro desastre para o regime cubano, para quem o turismo é uma importante fonte de rendimento para sobreviver sob o embargo americano.

Coquetel e repelente de moscas

Apesar de todos estes problemas, muitos quebequenses continuam a reservar alojamento com tudo incluído em Cuba, atraídos pelos preços baixos e pelo sol.

“A praia continua linda e os cubanos estão tão acolhedores como sempre”, diz Myriam, que está na sétima viagem à ilha com os filhos.

Algumas pessoas ainda desconfiam do infame mosquito tigre, que transmite chikungunya, bem como zika e dengue.

A solução para Ariane Brisson de Trois-Rivières? “Bem, repelente de moscas!” grita a jovem com atitude bem-humorada, segurando um coquetel azul na mão.

Seu amigo Jordan Côté também se sentiu consolado ao ver um avião de pesticidas sobrevoando seu hotel cinco estrelas em Varadero, a 100 metros das copas das palmeiras.

Porém, alguns amigos que iam com eles decidiram reservar um cruzeiro de última hora devido à situação em Cuba.

Numa conferência de imprensa em Montreal na última terça-feira, Lessner Gomez Molina, diretor do Gabinete de Turismo de Cuba, garantiu que o país é seguro para os turistas.

42 andares vazios para turistas

O arranha-céu mais alto de Havana é um hotel de luxo inaugurado há menos de um ano e onde os turistas são raros. Durante a visita “Iberostar Selection La Habana” da Revista, havia mais funcionários do que visitantes no lobby e no bar panorâmico deste hotel cinco estrelas. A construção da “Torre K”, como foi apelidada, foi polêmica desde o seu início devido ao seu custo e inacessibilidade ao cubano médio, com quartos custando US$ 350. A instalação possui um gerador que a protege de frequentes cortes de energia. “Imagine ter que subir 42 andares a pé!” gritou o porteiro da recepção.




Foto de Nora T. Lamontagne

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