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Posso me declarar culpado online? O casamento entre tecnologia e tradição da igreja

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A confissão, também conhecida como Sacramento da Penitência, é um sacramento importante na fé católica romana que envolve um diálogo confidencial e privado entre um crente e um padre ordenado em busca de perdão. Historicamente, este sacramento exigia a participação pessoal na igreja. No entanto, à medida que o mundo se torna mais dependente da tecnologia, especialmente na sequência da pandemia da COVID-19, as adaptações pastorais constituem um forte argumento para adaptar a prática à era moderna.

Em seu recente trabalho publicado na revista Religion, o Dr. Carlos Del Rio, da Universidade Bellevue, explora a ideia de confissão remota usando tecnologia audiovisual. Dr. Del Rio acredita que a confissão não requer proximidade física ou contato físico e que a tecnologia pode facilitar a realização do sacramento, mantendo sua santidade. “O Sacramento da Penitência restaura a graça da alma de uma pessoa e acreditamos que pode ser celebrado de forma significativa usando a tecnologia moderna”, disse o Dr.

Dr. Del Rio enfatizou em seu estudo que os sacerdotes são instrumentos de perdão de Deus, mas eles não necessitam de contato físico para fazer isso. O uso de tecnologia audiovisual, como videochamadas, pode preservar o conteúdo essencial do sacramento – a confissão e a absolvição por meio de palavras faladas – sem a necessidade de um contato próximo “cara a cara”. Isto é particularmente benéfico para aqueles que são fisicamente incapazes de se confessar, como os idosos, as pessoas que vivem em casa, os presos ou os que estão nos hospitais.

A pesquisa do Dr. Del Rio mostra que a percepção visual e auditiva são elementos-chave da confissão. Através de videochamadas, o padre pode ouvir as palavras do confessor e ver as expressões faciais do confessor, criando um ambiente eficaz para expressar confissão, arrependimento e busca de absolvição. “O uso da tecnologia pode preservar a confidencialidade e a santidade dos sacramentos, ao mesmo tempo que fornece soluções práticas para aqueles que não podem confessar-se pessoalmente”, explica o Dr. Del Rio.

Um dos principais argumentos levantados por esta proposta é que o próprio Jesus frequentemente usava o perdão verbal sem contato físico. Dr. Del Rio apontou exemplos bíblicos de Jesus concedendo perdão através de palavras faladas, enfatizando que a essência do sacramento é a comunicação e a intenção, não o contato físico.

A proposta do Dr. Del Rio tem amplas implicações na forma como as igrejas abordam o futuro do cuidado pastoral. Durante a pandemia da COVID-19, muitas igrejas experimentaram confissões “drive-in” para manter o distanciamento social, mostrando que a liturgia pode ser adaptada sem perder a essência do sacramento. Del Rio expandiu isso sugerindo que as confissões por vídeo ou telefone podem ser uma ferramenta pastoral útil.

Embora a proposta se concentre na doutrina católica romana, levanta questões mais amplas sobre como as práticas religiosas evoluem na era digital. A Igreja tem tradicionalmente valorizado a presença pessoal de confessores e padres, mas o Dr. Del Rio sugeriu reconsiderar a base teológica deste requisito. O seu trabalho apela a uma investigação mais aprofundada sobre o uso da tecnologia nos sacramentos religiosos e sugere que as confissões audiovisuais podem ser uma forma de satisfazer as necessidades espirituais das populações contemporâneas conhecedoras da tecnologia.

Em resumo, a pesquisa do Dr. Carlos Del Rio fornece argumentos convincentes para o uso da tecnologia audiovisual na confissão, abrindo potencialmente a porta para uma nova era de espiritualidade digital. Ao empregar estas ferramentas, a Igreja pode disponibilizar sacramentos importantes àqueles que não podem frequentar a confissão tradicional, mantendo ao mesmo tempo a integridade e a privacidade dos sacramentos.

Referência do diário

Del Rio, Carlos M. “Confissões usando tecnologias audiovisuais à distância.” Religião, 2024. doi: https://doi.org/10.3390/rel15020214

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