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Mitocôndrias ativas essenciais para o envelhecimento benéfico do cérebro

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À medida que envelhecemos, nossos cérebros passam por mudanças significativas que afetam a memória, o pensamento e a função cognitiva geral. Pesquisas recentes apontam para um culpado surpreendente por trás dessas mudanças: nossas mitocôndrias, as minúsculas centrais elétricas dentro de nossas células. Este estudo mostra que a redução da função mitocondrial desencadeia uma cascata de efeitos negativos que levam a uma deterioração gradual da saúde do cérebro. Compreender a ligação entre a saúde mitocondrial e o envelhecimento cerebral poderia desbloquear novas estratégias para preservar a função cognitiva à medida que envelhecemos.

Um novo estudo revela o importante papel da disfunção mitocondrial no envelhecimento do cérebro, destacando o seu impacto em três processos biológicos principais. A pesquisa, liderada pelo professor Stephen Bondy, da Universidade da Califórnia, Irvine, foi publicada na revista Biomolecules.

O professor Bondy investiga como os defeitos mitocondriais afetam progressivamente o envelhecimento do cérebro, destacando três áreas principais: resposta imunológica, estresse oxidativo e neurotransmissão. A investigação mostra que estas alterações adversas começam na meia-idade e agravam-se com a idade, reflectindo um declínio em processos-chave críticos para a saúde do cérebro.

A investigação mostra que à medida que envelhecemos, o nosso sistema imunitário torna-se menos eficiente, causando uma mudança de uma resposta imunitária direcionada para um estado inflamatório crónico e desfocado. O professor Bondi disse: “Esta inflamação crônica é ineficaz e prejudicial e contribui para uma variedade de doenças relacionadas à idade”. Tais doenças incluem a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson, a doença de Huntington e a esclerose lateral amiotrófica.

O estresse oxidativo é outro aspecto importante explorado neste estudo. Os investigadores descobriram que com o envelhecimento, o equilíbrio entre a produção e a neutralização de espécies reativas de oxigénio (ROS) é perturbado, levando a danos celulares. O professor Bondy explicou: “A falha em manter a homeostase redox leva a danos induzidos por radicais livres, que é um fator importante nas doenças neurodegenerativas”.

Além disso, o estudo aborda a atividade excitatória crônica de baixo nível observada no envelhecimento do cérebro, que está associada à disfunção mitocondrial. Essa superexcitabilidade contínua se deve aos níveis excessivos de cálcio intracelular que as mitocôndrias são incapazes de sequestrar adequadamente. Isto pode levar à excitotoxicidade, onde a ativação a longo prazo dos receptores de glutamato pode levar a danos neuronais.

Os investigadores propõem que estas alterações prejudiciais são desencadeadas por um declínio na qualidade mitocondrial à medida que envelhecemos. Eles destacaram que as mitocôndrias envelhecidas apresentam aumento do vazamento de radicais livres e acumulam mutações no DNA mitocondrial (mtDNA), levando à deficiência da fosforilação oxidativa. O professor Bondy observou: “O acúmulo de mitocôndrias disfuncionais tem um impacto significativo no estado hipometabólico observado no cérebro envelhecido”.

O professor Bondy enfatizou a importância da mitofagia, o processo de remoção de mitocôndrias defeituosas, que diminuem gradualmente com a idade. A eficiência reduzida da mitofagia leva ao acúmulo de mitocôndrias danificadas, exacerbando ainda mais a disfunção celular. O professor Bondi afirmou: “A mitofagia eficiente é crítica para manter a qualidade mitocondrial e a saúde geral do cérebro”.

Ao explorar potenciais tratamentos, o estudo aponta para medicamentos dietéticos e intervenções no estilo de vida que podem melhorar a função mitocondrial e reduzir o envelhecimento cerebral. Espera-se que compostos como resveratrol, espermidina e curcumina, que atuam através da via SIRT1, estimulem a mitogênese e promovam a degradação de mitocôndrias ineficazes. O professor Bondi acrescentou: “Estão actualmente em curso ensaios em humanos para avaliar a eficácia destes medicamentos na promoção da saúde do cérebro e no prolongamento da vida útil”.

Os resultados deste estudo destacam o papel central das mitocôndrias no envelhecimento cerebral e na neurodegeneração. O professor Bondi concluiu: “Ao visar a disfunção mitocondrial, podemos desenvolver novas estratégias terapêuticas para retardar o envelhecimento do cérebro e combater doenças neurodegenerativas”.

Referência do diário

Bondy, SC “A disfunção mitocondrial é a base do envelhecimento cerebral.” Biomoléculas 2024, 14, 402. DOI: https://doi.org/10.3390/biom14040402

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