Início ANDROID Ímãs e crianças: os perigos da hora de brincar tornam-se sérios

Ímãs e crianças: os perigos da hora de brincar tornam-se sérios

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A ingestão de objetos estranhos é uma causa relativamente comum de dor abdominal em crianças, mas a ingestão de vários ímãs apresenta riscos graves e únicos à saúde. Imagine um jogo aparentemente inocente se transformando em uma emergência médica num instante. Essa foi a realidade de uma jovem no Brasil que engoliu sete pellets magnéticos, causando sérias complicações que exigiram intervenção cirúrgica. Sua história destaca a importância crítica da conscientização e da ação rápida quando se trata dos perigos que espreitam nos itens do dia a dia.

Participaram do estudo deste caso os Drs. Daniel Tanure, Dra. Laura Moreira e Dr. Renato Rebouças do Hospital San Paolo, Dr. Jansen Tanure da Universidade Federal de Minas Gerais, e o Professor João Rezende-Neto da Universidade de Toronto. Seu trabalho foi publicado no International Journal of Surgical Case Reports. A menina teve vários dias de dor abdominal, constipação e diminuição do apetite, mas sem vômitos, febre ou sintomas peritoneais. Embora os resultados do ultrassom fossem normais, uma investigação mais aprofundada revelou sérios problemas subjacentes.

Depois que ela foi internada, os exames iniciais incluíram exames de sangue e radiografias abdominais. Os exames de sangue mostraram contagens elevadas de glóbulos brancos e níveis de proteína C reativa, indicando uma resposta inflamatória. A radiografia abdominal mostrou corpo estranho metálico linear no intestino delgado e distensão no trato gastrointestinal proximal. Esses achados sugerem a presença de múltiplos ímãs causando obstrução.

Devido à gravidade dos sintomas e aos achados iniciais, a equipe médica decidiu realizar uma laparotomia mediana. Dr. Tanure explicou que esta abordagem cirúrgica é necessária para abordar diretamente a perfuração intestinal e recuperar o ímã. Durante a cirurgia, a equipe descobriu que os ímãs se conectavam em uma estrutura linear e causavam pequenas perfurações no intestino. Os ímãs são removidos e a porção danificada do intestino é reparada através de um processo meticuloso que inclui o corte do tecido morto e a sutura da área perfurada. “Quando os ímãs se atraem, eles podem comprimir a parede intestinal, causando isquemia e perfuração”, disse o Dr. Tannur.

É digno de nota que a ingestão de múltiplos ímãs aumenta o risco de complicações graves, como vólvulos, fístulas e perfurações, que podem levar à peritonite e até à morte se não forem tratadas. A equipe observou que a remoção endoscópica desses corpos estranhos é preferida, se possível. Porém, neste caso, a via cirúrgica é necessária porque o ímã já atingiu o intestino vindo do estômago. As medidas não invasivas iniciais incluem a inserção de uma sonda nasogástrica para descomprimir o estômago e a administração de laxantes para facilitar a passagem do ímã. No entanto, quando estas medidas se revelam insuficientes, a intervenção cirúrgica é necessária para prevenir complicações adicionais.

A ingestão de ímãs é uma preocupação crescente, especialmente entre crianças pequenas. Um estudo dos EUA relatou um grande número de casos ao longo de uma década, com a maioria dos incidentes envolvendo crianças nesta faixa etária. Da mesma forma, um estudo na América Latina descobriu que uma grande proporção dos procedimentos endoscópicos realizados em crianças foi devido à ingestão de ímãs. Estes números sublinham a importância das medidas preventivas e da sensibilização dos pais para evitar tais incidentes perigosos.

Dr. Tanure enfatizou que os pais e cuidadores devem permanecer vigilantes sobre os riscos representados por brinquedos magnéticos e utensílios domésticos. “Conscientização e educação são fundamentais para prevenir esses incidentes”, observou ele. As descobertas da equipe defendem o aumento das campanhas de saúde pública para educar sobre os perigos da ingestão de ímãs e a importância da intervenção médica imediata.

Em resumo, a ingestão de múltiplos ímanes representa riscos significativos para a saúde dos pacientes pediátricos e requer uma resposta médica rápida e eficaz. O relatório de caso detalhado do Dr. Tanure e colegas fornece informações valiosas sobre o manejo clínico de tais casos, enfatizando a importância da conscientização e preparação dos profissionais de saúde e cuidadores.

Referência do diário

Tanure, D., Moreira, L., Tanure, J., Rezende-Neto, J., Rebouças, R. “Perfuração intestinal por ingestão de múltiplas bolas magnéticas em crianças: relato de caso.” Relatos de casos do International Journal of Surgery, 2024. doi: https://doi.org/10.1016/j.ijscr.2024.109505

Sobre o autor

Dr.Daniel Tannur é residente de medicina familiar na Universidade McMaster em Ontário, Canadá. Tanure recebeu seu título de médico pela Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil, de 2013 a 2019. Antes de iniciar sua formação de pós-graduação na Universidade McMaster, trabalhou como médico independente no Departamento de Emergência do Hospital San Vicente de Paulo Alacquay, no Centro de Referência Especial de Imunobiologia em Belo Horizonte e na UTI do Hospital Eduardo de Menezes no Brasil. Suas principais áreas de interesse são medicina de emergência, educação médica e cuidados intensivos.

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