Um estudo recente mostra que os americanos mais velhos que não ingerem licopeno suficiente na dieta correm um risco muito maior de desenvolver periodontite grave. A análise, que se concentrou em adultos norte-americanos com idades entre 65 e 79 anos, descobriu que os níveis de risco variavam de acordo com raça e sexo. Os resultados da pesquisa foram publicados em Revista de Nutrição, Saúde e Envelhecimento.
A pesquisa foi liderada por Katherine Kwong, do Departamento de Desenvolvimento Humano do Connecticut College, em New London, Connecticut. Ela colabora com cientistas da Tulane University, UC San Diego, Yunnan University, Southern Illinois University e Louisiana State University Health Sciences Center.
Grande pesquisa nacional revela deficiências generalizadas
Os pesquisadores examinaram dados de saúde e nutrição de 1.227 participantes da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição (2009-2014). Quase metade dos idosos do estudo (cerca de 48,7%) apresentava sinais de periodontite. Enquanto isso, mais de três quartos (ou 77,9%) das pessoas não consomem licopeno suficiente. O licopeno é um carotenóide encontrado principalmente em tomates e outras frutas vermelhas.
Menor licopeno, maior risco
Depois de levar em consideração fatores como idade, sexo, raça, hábitos de fumar e nível de escolaridade, os pesquisadores descobriram uma forte relação entre a ingestão de licopeno e a saúde das gengivas. Os adultos mais velhos que atingiram a ingestão recomendada de licopeno tiveram cerca de um terço mais probabilidade de desenvolver periodontite grave do que os adultos mais velhos que não consumiram o suficiente.
Diferenças raciais e de gênero
O estudo também encontrou diferenças claras. A periodontite grave é mais comum entre homens e adultos negros não-hispânicos do que entre outros grupos.
As principais conclusões incluem:
- A ingestão adequada de licopeno foi associada a uma probabilidade reduzida de periodontite grave (odds ratio 0,33; IC 95% 0,17-0,65).
- Adultos negros não-hispânicos tinham maior probabilidade de ter periodontite grave do que adultos brancos não-hispânicos (odds ratio 2,82; IC 95% 1,46-5,45).
- As mulheres tiveram menor probabilidade de periodontite grave em comparação com os homens (odds ratio 0,27; IC 95% 0,14-0,55).
- Entre adultos brancos não-hispânicos, o sexo feminino e a ingestão adequada de licopeno foram associados a um menor risco.
- Entre adultos negros não-hispânicos, a mesma associação protetora não foi observada para a ingestão de licopeno, sugerindo um padrão diferente de risco.
O que as descobertas significam
Segundo os autores, os resultados sugerem que o licopeno na dieta pode ser um fator importante que pode ser modificado para ajudar a prevenir doenças gengivais graves em idosos. No entanto, alertam que o desenho do estudo foi transversal, o que significa que não pode provar que a baixa ingestão de licopeno causa diretamente doenças gengivais.
Os investigadores também destacaram a questão mais ampla das disparidades raciais e de género na doença periodontal, observando que adultos e homens negros não-hispânicos tinham taxas mais elevadas de doenças graves. Eles recomendam que futuros esforços de prevenção levem em conta essas diferenças e apelam à realização de estudos controlados randomizados ou de longo prazo para determinar se o aumento da ingestão de licopeno pode reduzir o risco de doença gengival grave ou retardar a progressão da doença gengival grave.



