Uma investigação recentemente publicada conclui que as florestas tropicais podem recuperar duas vezes mais rapidamente após a desflorestação, quando o solo contém azoto suficiente. A investigação mostra que o que acontece no subsolo desempenha um papel importante na rapidez com que as florestas recuperam após o desmatamento da terra.
Cientistas liderados pela Universidade de Leeds lançaram o maior e mais longo experimento para estudar como os nutrientes afetam a regeneração florestal. O esforço centra-se em áreas tropicais anteriormente desmatadas para actividades como a exploração madeireira e a agricultura.
Rastreando a regeneração florestal ao longo de décadas
Os pesquisadores selecionaram 76 áreas florestais na América Central e as monitoraram durante 20 anos. Cada local difere em idade e tamanho, permitindo à equipe acompanhar como as árvores crescem e morrem à medida que a floresta se recupera.
Para testar os efeitos dos nutrientes, as parcelas receberam diferentes tratamentos. Alguns aplicaram fertilizante de nitrogênio, alguns aplicaram fertilizante de fósforo, alguns receberam ambos os nutrientes e alguns foram deixados sem tratamento. Este método permite aos cientistas comparar diretamente como as florestas respondem às diferentes condições do solo.
O nitrogênio surge como fator-chave
Os resultados mostram que os nutrientes do solo influenciam fortemente a taxa de regeneração da floresta tropical. Durante a primeira década de restauração, as florestas com fertilizantes azotados suficientes recuperaram cerca de duas vezes mais rapidamente do que as florestas sem fertilizantes azotados. O fósforo sozinho não tem o mesmo efeito.
O estudo incluiu pesquisadores da Universidade de Glasgow, do Smithsonian Tropical Research Institute, da Universidade de Yale, da Universidade de Princeton, da Universidade Cornell, da Universidade Nacional de Cingapura e do Cary Ecosystem Institute. As descobertas foram publicadas na edição de 13 de janeiro da revista comunicações da natureza.
Impacto no clima e no reflorestamento
O primeiro autor do estudo, Wenguang Tang, que completou o seu doutoramento na Universidade de Leeds, disse: “A nossa investigação é emocionante porque mostra que podemos promover a captura e armazenamento de gases com efeito de estufa através da reflorestação, gerindo os nutrientes disponíveis para as árvores”.
Embora tenha sido utilizado fertilizante nitrogenado no experimento, os pesquisadores não recomendam a fertilização da floresta. A utilização generalizada de fertilizantes químicos pode levar a efeitos secundários prejudiciais, incluindo emissões de óxido nitroso, um poderoso gás com efeito de estufa.
Em vez disso, a equipe apresentou alternativas práticas. Os gestores florestais podem plantar leguminosas, que naturalmente adicionam nitrogênio ao solo. Outra opção é restaurar florestas em áreas que já possuem nitrogênio suficiente devido aos efeitos da poluição atmosférica.
Por que a regeneração mais rápida é importante para o clima
As florestas tropicais são um dos sumidouros de carbono mais importantes do mundo. Ajudam a abrandar as alterações climáticas, removendo carbono da atmosfera e armazenando-o nas árvores (um processo denominado sequestro de carbono).
Os investigadores estimam que se a escassez de azoto afectasse as jovens florestas tropicais do mundo, poderia impedir o armazenamento de cerca de 690 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Este montante é aproximadamente equivalente a dois anos de emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa no Reino Unido.
Relevância política após COP 30
O estudo foi divulgado poucas semanas após a 30ª Conferência das Partes no Brasil, onde foi anunciado o fundo do Fundo Permanente para Florestas Tropicais (TFFF). A iniciativa visa ajudar os países com florestas tropicais a proteger as florestas existentes e a restaurar florestas danificadas.
A pesquisadora principal, Dra. Sarah Baartman, professora associada da Escola de Geografia de Leeds, disse: “Os resultados de nossos experimentos têm implicações importantes sobre como entendemos e gerenciamos as florestas tropicais para lidar com questões climáticas naturais.
“Evitar o corte raso de florestas tropicais maduras deve ser sempre uma prioridade, mas as nossas conclusões sobre o impacto dos nutrientes no sequestro de carbono são importantes à medida que os decisores políticos avaliam onde e como restaurar as florestas para maximizar o sequestro de carbono.”



