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Catalisador eficiente revoluciona processo de dessulfurização no refino de combustíveis

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O enxofre no combustível é um problema ambiental significativo, causando poluição do ar e chuva ácida quando queimado. Para resolver este problema, os cientistas continuam a procurar melhores formas de remover o enxofre dos combustíveis fósseis. Uma abordagem promissora envolve o uso de materiais especialmente projetados chamados catalisadores mesoporosos. Esses catalisadores são como pequenas esponjas com muitos poros, ajudando-os a capturar compostos de enxofre e a convertê-los em substâncias inofensivas. A nova investigação centra-se na melhoria da eficiência destes catalisadores, tornando o processo mais limpo e eficiente do que nunca.

Os pesquisadores desenvolveram catalisadores mesoporosos inovadores que melhoram significativamente a hidrodessulfurização (HDS) do tiofeno, um composto contendo enxofre encontrado no petróleo bruto. A equipe foi liderada pelos professores Antonio Araujo, Marcio Araujo, Dr. Jilliano Silva e Valter Fernandes Jr., da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; Dra. Ana Coutinho da Universidade Federal Fluminense; Professora Joana Barros da Universidade Federal de Campina Grande; Dr. Marcelo Souza da Universidade Federal de Sergipe; e Regina Delgado, da Universidade Federal do Semiárido Rural. Delgado publicou suas descobertas na revista Catalysts.

A hidrodessulfurização é um processo chave nas refinarias modernas que visa reduzir o teor de enxofre nos combustíveis fósseis para atender a regulamentações ambientais rigorosas. A pesquisa concentra-se no desenvolvimento de catalisadores contendo cobalto e molibdênio suportados em materiais mesoporosos, especialmente SBA-15 e AlSBA-15. Esses materiais são conhecidos por sua alta área superficial específica e grande tamanho de poros, o que aumenta a dispersão de metais ativos e melhora a aquisição de compostos de enxofre durante os processos HDS.

O professor Araujo e sua equipe sintetizaram o catalisador pelo método hidrotérmico e depois o co-impregnaram com nitrato de cobalto e heptamolibdato de amônio. Os catalisadores CoMo/SBA-15 e CoMo/AlSBA-15 resultantes foram caracterizados por diversas técnicas, incluindo difração de raios X (XRD), análise termogravimétrica (TG/DTG) e microscopia eletrônica de varredura (MEV). A análise XRD confirmou a presença de MoO3cobalto3oxigênio4e CoMoO4 Óxido, ativo na reação HDS.

Em testes de laboratório, esses catalisadores demonstraram impressionante atividade de hidrodessulfurização de tiofeno em correntes de n-heptano, produzindo principalmente cis e trans 2-buteno, 1-buteno, n-butano e uma pequena quantidade de isobutano. Notavelmente, a presença de subprodutos indesejáveis, como 1,3-butadieno e tetrahidrotiofeno, não foi detectada. Os pesquisadores propuseram um mecanismo de reação envolvendo etapas de dessulfuração, hidrogenação, desidrogenação e isomerização para explicar a distribuição observada do produto.

Descobertas importantes deste estudo destacam as vantagens do uso de materiais mesoporosos como suporte de catalisador HDS. “A alta área superficial específica e a estrutura dos poros do SBA-15 e AlSBA-15 são fundamentais para maximizar a dispersão do metal e aumentar a eficiência do processo de hidrodessulfurização”, disse o professor Araujo. Esses catalisadores mostram potencial para a produção de combustíveis com teor ultrabaixo de enxofre, que são essenciais para reduzir as emissões de óxido de enxofre e atender aos padrões ambientais.

Os pesquisadores enfatizaram que são necessárias mais pesquisas sobre a modificação de suportes mesoporosos e otimização da carga metálica para melhorar o desempenho dos catalisadores HDS. Eles também sugeriram explorar o uso de outros materiais mesoporosos e óxidos metálicos mistos para melhorar ainda mais a eficiência e a seletividade da dessulfuração.

Esta pesquisa é um passo promissor em direção a um processo de hidrodessulfurização mais eficiente e ecologicamente correto que poderia ajudar a limpar a produção de combustível e reduzir a poluição atmosférica. O professor Araujo e seus colegas estão otimistas quanto às futuras aplicações de suas descobertas, com o objetivo de revolucionar a indústria de combustíveis por meio de tecnologias de dessulfurização mais ecológicas e eficientes.

Referência do diário

Coutinho, ACSLS; Barros, JMF; Araújo, MDS; Silva, JB; Souza, MJB; Delgado, RCOB; Fernández Jr., VJ; Araujo, AS Hidrodessulfurização de tiofeno em correntes de n-heptano utilizando catalisadores mesoporosos CoMo/SBA-15 e CoMo/AlSBA-15. Catalisadores 2024, 14, 198. DOI: https://doi.org/10.3390/catal14030198

Sobre o autor

Diretor, Laboratório de Catálise e Petroquímica (LCP)
Instituto de Química, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil

Antonio S. Araújo em Química Inorgânica pela Universidade de São Paulo (Brasil). Ele é cientista visitante e pesquisador de pós-doutorado na Kent State University, onde esteve envolvido na síntese, caracterização e propriedades ácidas de materiais mesoporosos à base de zeólita e sílica. Seus interesses de pesquisa são pirólise, cinética e análise térmica da degradação catalítica de óleos pesados, resíduos de petróleo e resíduos plásticos utilizando zeólitas e materiais micro-mesoporosos híbridos como catalisadores, com ênfase em aquisição de combustível e meio ambiente. O professor Araujo é professor titular do Instituto de Química e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Brasil) e é citado no livro “Quem é Quem em Análise Térmica e Calorimetria” e no livro “Verified Synthesis of Zeolite Materials” editado pela IZA. Ele também é um distinto consultor do ACS Petroleum Research Fund. O professor Araujo publicou mais de 200 artigos revisados ​​por pares, foi citado mais de 4.000 vezes, possui seis patentes, possui índice H de 34 e proferiu mais de 20 palestras convidadas em conferências.

Diretor, Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes (LCL)
Instituto de Química, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil

Walter J. Fernández Doutor em Química Analítica pela Universidade de São Paulo, Pós-doutor em Química Ambiental pelo INPE, Professor Titular do Instituto de Química da UFRN, Coordenador do Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes da UFRN – Executivo do Programa de Pesquisa e Qualidade de Combustíveis do Instituto Nacional de Petróleo do Estado do RN, Vice-Reitor de Pesquisa da UFRN (maio de 2011 a agosto de 2016), Pesquisador do CNPq desde 1993, assessor científico da FINEP, FAPESP, NSF-National Science Foundation e CNPq, entre outros. Coordenador da Rede de Laboratórios de Combustíveis Norte/Nordeste, professor permanente dos programas de pós-graduação em Química e Ciência e Engenharia de Materiais da UFRN, com 37 orientações de mestrado e doutorado. Publicou 155 artigos em revistas científicas indexadas (índice H = 25) e possui 4 patentes de aplicação industrial com certificados de patente concedidos pelo INPI. A principal direção de pesquisa é: a aplicação de materiais nanoestruturados na reciclagem terciária de polímeros. Desenvolver métodos analíticos para combustíveis, biocombustíveis e petróleo. Avaliação e caracterização de combustíveis e aditivos para biocombustíveis.

Fotos do Araujo Labs

O Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes (LCL) e o Laboratório de Catálise e Petroquímica são vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Química do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (IQ/UFRN). Esses laboratórios atuam diretamente nas áreas de petróleo e petroquímica e têm como objetivo estudar as propriedades físico-químicas do petróleo e seus derivados e melhorar a qualidade dos combustíveis automotivos, além de desenvolver métodos analíticos para tratamento de petróleo e resíduos industriais.

O LCL coordena um dos mais importantes programas do setor de combustíveis do Brasil, o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), regulamentado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Nesse programa, o LCL coleta amostras de combustíveis nos estados do RN e PB e certifica sua qualidade, prestando um importante serviço à sociedade.

A LCP desenvolve catalisadores microporosos e mesoporosos para uso em processos industriais petrolíferos e petroquímicos, visando melhorar a qualidade dos combustíveis automotivos. Os temas de pesquisa incluem a remoção de contaminantes de enxofre de combustíveis, o uso de métodos catalíticos para o tratamento de resíduos da indústria petrolífera (resíduos atmosféricos, lamas oleosas e gasóleos de vácuo) e o coprocessamento de polímeros visando a recuperação química utilizando métodos de pirólise e pirólise catalítica para obtenção de combustíveis líquidos. Esses estudos foram realizados utilizando equipamentos de análise térmica e pirolisadores acoplados a cromatografia e espectrometria de massa.

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