Os bonobos machos são capazes de interpretar sinais de fertilidade feminina que não refletem de forma confiável a ovulação. Uma investigação liderada por Heungjin Ryu, da Universidade de Quioto, no Japão, mostra que esta capacidade lhes permite direcionar as tentativas de acasalamento no momento em que a concepção é mais provável. A obra foi publicada em 9 de dezembroo Em periódicos de acesso aberto Biologia PLOS.
Em muitos mamíferos, as fêmeas só estão dispostas a acasalar quando estão ovulando, proporcionando aos machos uma janela clara para maximizar o sucesso reprodutivo. Os bonobos (Pan paniscus) diferem desse padrão porque as fêmeas permanecem sexualmente receptivas por longos períodos de tempo e desenvolvem inchaços genitais rosa brilhante que persistem muito além do estágio reprodutivo real.
Rastreando bonobos selvagens para entender os sinais de fertilidade
Para estudar como os machos respondem a sinais tão pouco fiáveis, os investigadores analisaram uma comunidade de bonobos selvagens em Wamba, a Reserva Científica de Luo, na República Democrática do Congo. A equipe registrou a atividade sexual diária e avaliou visualmente o grau de inchaço genital de cada mulher. Eles também coletaram amostras de urina em papel de filtro para medir estrogênio e progesterona e determinar quando ocorreu a ovulação.
Os dados mostram que a probabilidade de ovulação é maior entre 8 e 27 dias após a mulher atingir o inchaço máximo, um intervalo que torna a previsão um desafio. Mesmo assim, o comportamento dos homens ainda segue rigorosamente o verdadeiro momento da ovulação. Os machos concentraram a sua actividade de acasalamento nas fêmeas que atingiram o inchaço máximo mais cedo e deram à luz bebés maiores, dois indicadores associados a uma maior probabilidade de ovulação.
Estratégias de acasalamento flexíveis sustentam sistemas imperfeitos
Estas descobertas sugerem que os homens aumentam o sucesso reprodutivo combinando informações sobre padrões de inchaço com o conhecimento da história reprodutiva feminina. Apesar da falta de sinais precisos, porque os machos são capazes de estimar bastante bem a fertilidade, os investigadores acreditam que houve pouca pressão evolutiva para tornar os sinais mais precisos. Isto pode ajudar a explicar por que este sistema persiste durante longos períodos evolutivos.
Os autores acrescentam: “Neste estudo, descobrimos que os bonobos machos não tentam prever o momento preciso da ovulação, mas em vez disso usam estratégias flexíveis – concentrando-se nos sinais finais de sinalização do inchaço sexual, bem como na idade infantil – para ajustar seus esforços de acasalamento. Esta descoberta sugere que quando os animais os usam com flexibilidade, em vez de esperar uma precisão perfeita, nossos resultados ajudam a explicar como sinais de ovulação proeminentes, mas barulhentos, como os dos bonobos, podem persistir e funcionar em ambientes sociais complexos.”
Pesquisadores refletem sobre meses de observações de campo
“Os bonobos machos não são os únicos animais que prestam muita atenção ao engrandecimento sexual – passamos incontáveis dias na floresta tropical de Wamba, na República Democrática do Congo, fazendo exatamente a mesma coisa!
Esta pesquisa foi apoiada pelo Fundo Global de Pesquisa Ambiental do Ministério do Meio Ambiente do Japão (D-1007 para TF), pelas Bolsas de Pesquisa Científica da Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência (JSPS) (22255007 para TF; 25304019 para CH;) e pelo Programa da Plataforma Científica JSPS Ásia-África (2012-2014 para TF). Os financiadores não tiveram nenhum papel no desenho do estudo, na coleta e análise de dados, na decisão de publicação ou na preparação do manuscrito.



