Uma equipe de pesquisa liderada por Botond Roska do Instituto de Oftalmologia Molecular e Clínica (IOB) de Basileia, juntamente com colaboradores, descobriu vias genéticas e compostos que ajudam a proteger os fotorreceptores de cone. Estas células são danificadas em doenças como a degeneração macular relacionada à idade, uma das principais causas de perda de visão.
Os fotorreceptores cone estão concentrados na mácula e são essenciais para ler, reconhecer rostos e ver cores. Quando essas células morrem, como em muitas doenças hereditárias da retina e na degeneração macular, a visão central é perdida. Apesar de décadas de esforços científicos, não existem tratamentos aprovados que possam interromper este processo. O estudo, liderado pelos primeiros autores Stefan Spirig, Alvaro Herrero Navarro e colegas, teve como objetivo abordar esta lacuna usando sistemas experimentais baseados em humanos.
Triagem em larga escala de compostos em modelos de retina humana
Para explorar tratamentos potenciais, os pesquisadores testaram mais de 2.700 compostos em 20.000 organoides da retina humana. Os resultados revelam pistas promissoras e importantes questões de segurança:
- Certas classes de compostos podem danificar as células cônicas, destacando riscos potenciais
- Várias moléculas descobertas para proteger as células cone da degeneração
- O bloqueio da caseína quinase 1 surge como estratégia de proteção chave
Os cientistas rotularam seletivamente os fotorreceptores de cone para que pudessem acompanhar como as células responderam ao longo do tempo sob condições de estresse controladas que imitam a doença. Esta configuração permite avaliar sistematicamente compostos com alvos moleculares conhecidos.
Principais mecanismos de proteção confirmados
A análise revelou padrões consistentes. Dois inibidores de quinase mostraram repetidamente fortes efeitos protetores, ajudando as células cone a sobreviver por longos períodos de tempo. Esses benefícios foram observados sob diferentes condições de estresse e também foram confirmados em modelos de degeneração retiniana em camundongos, sugerindo que essas descobertas podem ter aplicações mais amplas.
Além de identificar vias de proteção, a equipe também publicou um conjunto de dados detalhado cobrindo todos os compostos testados, seus alvos moleculares e seus efeitos na sobrevivência das células cone em tecido humano. Espera-se que este recurso apoie o desenvolvimento de terapias destinadas a proteger a visão central e ajude os pesquisadores a avaliar de forma mais sistemática as potenciais toxicidades da retina.
Prevenção adicional da perda de visão
Ao combinar a biologia da retina, a tecnologia organoide e a triagem de compostos em larga escala, esta pesquisa fornece uma base sólida para tratamentos futuros. Ele promove um objetivo de longa data da oftalmologia: proteger as células que tornam a visão possível.



