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A violação de Lorentz revela o mistério das estrelas de energia escura e evita a singularidade do buraco negro

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A estrutura do espaço e do tempo no universo é mais misteriosa do que imaginamos. Os cientistas há muito que se interessam pela natureza da energia escura e pelos comportamentos peculiares das estrelas que parecem violar as regras tradicionais da física. Um novo estudo lança nova luz sobre estes mistérios cósmicos, sugerindo que os fundamentos da velocidade mínima podem ser a chave para desvendar os seus segredos. Este conceito intrigante desafia a nossa compreensão do espaço e do tempo, potencialmente remodelando a nossa visão do próprio universo.

Um estudo publicado na Physics of the Dark Universe revela uma nova forma de compreender as estrelas de energia escura, propondo que a ruptura de Lorentz com velocidade mínima constante forma a base dos condensados ​​gravitacionais de Bose-Einstein (GBEC) das estrelas de energia escura. Esta pesquisa inovadora, conduzida pelo Dr. Cláudio Nassif Cruz do Centro de Pesquisas em Física Teórica, traz uma profunda transformação aos modelos cosmológicos, revelando a complexidade do vácuo quântico e do espaço-tempo.

Dr. Cruz propôs que a introdução de velocidades mínimas invariantes associadas ao conceito de relatividade especial simétrica (SSR) poderia mudar fundamentalmente a estrutura do espaço-tempo. Esta velocidade mínima, representada por V, está diretamente relacionada ao comprimento de Planck e altera a estrutura causal do espaço-tempo, afetando assim a formação e o comportamento dos GBECs dentro das estrelas de energia escura. A pesquisa sugere que esta nova compreensão poderia resolver o quebra-cabeça das singularidades do horizonte de eventos tradicionalmente previstas em cenários de colapso gravitacional.

“Nosso estudo mostra que a presença de uma velocidade mínima invariante na estrutura espaço-tempo provoca uma transição de fase entre gravidade e antigravidade, evitando a formação de uma singularidade no horizonte de eventos. Essa transição ocorre antes de atingir o raio de Schwarzschild, eliminando divergências problemáticas e permitindo uma estrutura mais estável”, explica o Dr.

O estudo descreve o impacto significativo desta transição de fase, na qual o núcleo repulsivo descrito pela métrica GBEC substitui o conceito tradicional de horizonte de eventos de um buraco negro. Este núcleo repulsivo é cercado por uma região de coexistência de fase que conecta gravidade e antigravidade, evitando a divergência da métrica do espaço-tempo e permitindo a propagação do sinal, o que não é possível nos modelos clássicos de buracos negros.

Ao mapear a métrica SSR, que representa a velocidade mínima, na métrica GBEC, o Dr. Cruz conseguiu relacionar a constante cosmológica, que representa a densidade de energia do vácuo, a esta velocidade mínima constante. Esta abordagem inovadora fornece uma interpretação quântica dos GBECs, onde as velocidades mínimas criam uma forte anisotropia, levando às transições de fase observadas durante o colapso estelar.

“A métrica SSR que desenvolvemos é semelhante à métrica de Sitter, conhecida por representar o espaço-tempo do universo com uma constante cosmológica positiva. No entanto, a nossa métrica incorpora velocidades mínimas que permitem uma compreensão mais completa da energia do vácuo e do seu papel no universo, “explica o Dr. Cruz.

A importância desta investigação é enorme porque desafia a visão tradicional dos buracos negros e fornece um novo modelo para a compreensão da componente de energia escura do Universo. A eliminação das singularidades do horizonte de eventos e a introdução de regiões de transição de fase proporcionam novas possibilidades para explorar o comportamento de sistemas gravitacionais extremos e a natureza da energia escura.

“Esta pesquisa não apenas fornece uma solução para o problema de longa data das singularidades nos buracos negros, mas também abre novos caminhos para explorar a interação entre a mecânica quântica e a relatividade geral, a teoria da gravidade quântica. A ideia de que uma velocidade mínima poderia ser tão fundamental quanto a velocidade da luz na estrutura do espaço-tempo é uma inspiração verdadeiramente revolucionária para todas as áreas da astrofísica, cosmologia e física”, disse o Dr.

No seu conjunto, a investigação do Dr. Cruz oferece uma perspectiva transformadora sobre as estrelas de energia escura, fornecendo um quadro teórico poderoso que poderá remodelar a nossa compreensão dos fenómenos mais misteriosos do Universo. A incorporação da destruição de Lorentz devido à velocidade mínima constante no modelo GBEC fornece uma solução abrangente para os problemas levantados pela teoria clássica dos buracos negros e abre caminho para a exploração futura do mistério da energia escura.

Referência do diário

Nassif Cruz, C., dos Santos, RF, e Amaro de Faria Jr., AC “Destruição de Lorentz em velocidade mínima constante como base para condensações gravitacionais de Bose-Einstein de estrelas de energia escura.” Física do Universo Escuro (2020). Número digital: https://doi.org/10.1016/j.dark.2019.100454

Sobre o autor

Cláudio Nassif Cruz é professor aposentado de física da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Minas Gerais, Brasil. Nasceu em Alenparaíba, Minas Gerais, em agosto de 1967.

Graduou-se em Física em 1992 pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Minas Gerais, Brasil.

Possui mestrado (1992) e doutorado (2002) em física pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Ele tem vasta experiência em física da matéria condensada, com foco em equações de estado, equilíbrio de fase e transições de fase. Suas principais áreas de pesquisa incluem métodos de Thompson, grupos de renormalização, expoentes críticos dinâmicos e estáticos de vários sistemas, reações químicas de difusão limitada, polímeros, crescimento superficial e modelos de vetores N sem campos aleatórios. Alguns tópicos da teoria de campos, como eletrodinâmica quântica (QED) e cromodinâmica quântica (QCD), também são tratados pelo método Thompson.

Em outra pesquisa original apresentada por ele mesmo, dedicou-se a explorar outra possibilidade de quebra da simetria de Lorentz na relatividade especial deformada com velocidade mínima invariante (relatividade especial simétrica), na qual o campo de fundo é gerado por dinâmicas não-Lorentzianas de baixa energia, explicando assim o pequeno valor positivo da constante cosmológica e também explicando o princípio da incerteza quântica, permitindo-nos estabelecer uma ligação entre a física quântica e a cosmologia.

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