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A reforma trabalhista não gera mão de obra, mas para que fim?

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A Argentina precisa urgentemente de uma reforma trabalhista, sim. Mas foi bem feito. Compreender o uso não é para ser decidido, mas para ser construído. Os cargos não são criados por lei, mas quando as regras do jogo deixam de punir quem se compromete e proteger quem foge.

De autoria de John Pablo Chiesa no jornal mbito
Durante décadas, os governos elogiaram as reformas laborais como se fossem a chave para a magia do emprego. Mas esta ilusão esbarrou numa realidade indiscutível: a lei não gera trabalho. Ordenar a lei, modernizá-la, dar previsibilidade. Mas se não houver uma reforma fiscal e da ajuda, a concha permanecerá vazia.

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Esta semana afirmei em diversas entrevistas: “Obras de reforma não geram um único emprego”. Porque o verdadeiro gargalo não está no trabalho da lei, mas no sistema envolvente.

A PME média paga hoje 3,5 milhões de pesos em contribuições sociais para quatro funcionários que ganham 1.415.000 dólares cada. O que estou dizendo é que ele não pode contratar uma quinta pessoa, não porque não queira, mas porque a razão o está sufocando. A obra é cara, não pelo salário, mas pelos custos fiscais e pela insegurança jurídica que a envolve.

Enquanto isso, continuamos a ver se as férias podem ser divididas ou se o salário pode ser pago através de carteira virtual. Nada desse trabalho muda o mapa. Não é uma reforma: é uma formalidade definida no PowerPoint.

O objectivo da verdadeira reforma laboral não é “criar empregos”, mas renovar a relação laboral para que esta possa existir. Constrói uma ponte entre o perigoso e o trabalhador, entre quem aluga e quem depende. Ambos são trabalhadores: um investe capital, o outro. E ambos são muito confiáveis.

É por isso que apelo: a Argentina deve parar de assistir à vingança do século XX e do século XXI. O mundo voltou-se para a modernização do trabalho, não para a sua instabilidade. A Europa reduz o horário de trabalho, promove o trabalho híbrido, mantém a IA e a automação. O actual conceito de “reforma laboral” não visa flexibilizar os direitos, mas sim adaptar as regras a uma economia dinâmica, tecnológica e humana ao mesmo tempo.

A tecnologia não elimina empregos, ela os transforma. A inteligência artificial aplicada à gestão do trabalho, por exemplo, permite escutar conexões, prevenir conflitos e reduzir disputas. Mas para ser necessário ao Estado moderno, nenhum Estado ainda imprime documentos em papel.

Reforma trabalhista: como é?

A próxima reforma deverá ter três pilares sólidos;

Razão sincera: menos informalidade, mais previsibilidade.

Reforma tributária real: deixe o fardo recair sobre quem contrata, e não suprir a ineficiência.

Segurança jurídica: regras estáveis, sem sigilo ou julgamento popular.

Se tivermos sucesso, haverá empregos. caso contrário, as reformas continuarão a não reformar nada. A Argentina precisa urgentemente de uma reforma trabalhista moderna e humana. Mas não aquele que promete “uso mágico”, mas sim aquele que reconstrói a confiança entre os atores no trabalho.

Não há dignidade sem função, nem uso sem racionalidade. O trabalho argentino não precisa de mais decisões: precisa de dor. E enquanto não compreendermos a utilização da coerência fiscal para gerar segurança jurídica e bom senso, qualquer reforma será conversa fiada.

A lei não cria empregos. A obra é criada por quem ainda acredita nesta terra. E deixe a lei protegê-los, não puni-los.

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