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Operação mortal no Rio: número de mortos ultrapassa 100

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Um dia depois da repressão policial mais mortífera da história do Brasil, que deixou pelo menos 119 mortos, o presidente Lula apelou na quarta-feira ao público “para não pôr em perigo” a luta contra o crime organizado.

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Em meio a soluços e raiva, cidadãos encontraram dezenas de restos mortais na quarta-feira, após operações contra o tráfico de drogas na terça-feira no Complexo da Penha e no Complexo do Alemão, grandes favelas ao norte do Rio.

Enquanto o Brasil se prepara para receber o mundo em Belém, na Amazónia, para a conferência climática da ONU COP30, a operação é um lembrete do poder do crime organizado no país, bem como questiona os métodos policiais nos bairros mais pobres.

Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo não foi avisado, deu garantias sobre isso




AFP

Na quarta-feira, dezenas de restos mortais foram recolhidos por moradores numa floresta no topo das favelas e depois colocados numa praça do Complexo da Penha, informaram jornalistas da AFP. O cheiro da morte era sufocante.

No local pudemos ver o corpo de um homem decapitado e de outro homem completamente desfigurado. Alguns cidadãos condenaram as “execuções”.

Depois de quase sessenta mortes terem sido anunciadas na terça-feira, as autoridades do Rio divulgaram uma contagem provisória de 119 mortes: 115 suspeitos de crimes e quatro policiais.

Os serviços da Defensoria Pública, órgão do Estado do Rio que presta assistência jurídica aos mais pobres, registraram pelo menos 132 mortes.




AFP

“Sucesso”

A operação mobilizou 2.500 agentes na terça-feira contra o Comando Vermelho, o principal grupo criminoso do Rio, que opera em favelas fortemente operárias.

Claudio Castro, governador de direita do estado do Rio, disse à imprensa que a intervenção foi “bem sucedida” depois de mais de um ano de investigação e da prisão de 113 pessoas.

Ele defendeu uma abordagem forte contra o que chamou de “narcoterrorismo”. As únicas “vítimas” foram os policiais mortos, disse ele.

No Complexo da Penha o medo competiu com a dor.

Uma mulher chorando colocou a mão no rosto de um jovem cujo corpo estava coberto por um lençol verde e gritou no microfone da AFPTV: “O Estado do Rio veio para massacrar.

“Muitos deles foram mortos com tiros no pescoço ou nas costas”, disse Raull Santiago, um ativista que mora no bairro.

Os corpos foram então embrulhados em sacos mortuários e levados para a instituição de medicina legal.

Chefe da ONU ‘muito preocupado’

O juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal do Brasil, exigiu explicações do governador Castro sobre a ação policial, já que foi convocado para a audiência na próxima semana.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, está “muito preocupado” com os resultados da operação e “pede às autoridades que conduzam rapidamente uma investigação”, segundo um porta-voz.

A intervenção policial mais mortífera da história do Brasil ocorreu em 1992, quando 111 presos foram mortos durante a repressão de um motim em uma prisão no Carandiru, perto de São Paulo.

A segurança parece ser uma questão importante nas eleições presidenciais de 2026, nas quais Lula concorrerá ao quarto mandato. Os brasileiros também votarão em seu governador.

O governo do Rio vem usando o termo “narcoterrorismo” para se referir a grupos criminosos locais há algum tempo.

A socióloga Carolina Grillo, especialista em crime organizado, disse à AFP que esta escolha da terminologia traiu a “influência” da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, mas explicou que nada a “justifica”.

Segundo ele, “trata-se de grupos armados que operam em mercados ilegais, organizações que procuram promover o terrorismo na sociedade, mas sem fins lucrativos”.

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