O impacto do conflito armado sobre os civis na Colômbia durante o ano passado foi o pior numa década, à medida que a situação de segurança do país se deteriorou, afirmou o Comité Internacional da Cruz Vermelha no seu relatório anual na terça-feira.
O número de pessoas deslocadas enquanto gangues criminosas e rebeldes lutam contra o Estado colombiano e entre si deverá duplicar, para 235 mil pessoas em 2025, disse o grupo humanitário.
Entretanto, o número de pessoas forçadas a suportar confinamentos impostos por grupos rebeldes em pequenas cidades e aldeias aumentou 99% no ano passado.
Durante décadas, grupos rebeldes e traficantes de drogas lutaram contra o governo colombiano pelo controle das áreas rurais, incluindo corredores ligados ao comércio de cocaína.
Um acordo de paz de 2016 entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o maior grupo rebelde do país, ajudou a reduzir a violência rural.
Contudo, a situação de segurança deteriorou-se desde então em muitas partes do país; Pequenos grupos estão a tentar controlar áreas outrora dominadas pelos rebeldes das FARC, onde tributam as empresas locais e intimidam os civis que se colocam no seu caminho.
“A situação humanitária em 2025 é o resultado da deterioração gradual sobre a qual o CICV alerta desde 2018”, disse Olivier Dubois, chefe da missão do CICV na Colômbia.
Nos últimos quatro anos, a administração do Presidente Gustavo Petro tem procurado reduzir a violência nas zonas rurais da Colômbia, mantendo conversações de paz com os restantes grupos rebeldes do país e concordando com um cessar-fogo com alguns.
Mas os críticos dizem que os grupos rebeldes estão a utilizar estes cessar-fogo para se reagruparem, rearmarem e reforçarem o seu controlo sobre as comunidades onde as crianças são cada vez mais recrutadas para as fileiras dos sindicatos do crime.
A violência política também piorou na Colômbia, onde um candidato presidencial foi baleado na cabeça durante um comício na capital Bogotá no ano passado e mais tarde morreu devido aos ferimentos.
As autoridades culparam um dos grupos rebeldes do país pelo ataque.
Em Fevereiro, o gabinete dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Colômbia afirmou que a situação de segurança no país tinha “regredido”, tendo os assassinatos de defensores dos direitos humanos aumentado 9% no ano passado.
A Cruz Vermelha também observou na terça-feira que 965 pessoas serão mortas ou feridas por explosivos, incluindo minas terrestres e drones, em 2025, 33% a mais que no ano anterior.
A Cruz Vermelha apelou às partes no conflito armado na Colômbia para que respeitem os direitos dos civis e protejam aqueles que já não desejam participar nas hostilidades.
“O respeito pelo direito humanitário internacional não é opcional”, afirmou o grupo humanitário.



