O que acontece quando um superclube colide com outro? Anarquia. Anarquia linda, absurda e desenfreada, e não só isso, veremos tudo de novo na próxima semana.
Boa sorte para eclipsar esta extravagância, Atlético de Madrid e Arsenal. Seguir este luxuoso banquete entre o Paris Saint-Germain e o Bayern de Munique, que poderá muito bem tornar-se num dos maiores jogos europeus de todos os tempos, assim que tivermos oportunidade de recuperar o fôlego, é quase como um par de átomos em colisão a tentar desencadear o Big Bang.
As semifinais da Liga dos Campeões podem ser uma porcaria. Esta primeira mão no Parc des Princes foi o oposto, sensacional. Era o futebol como forma de expressão. Risco e recompensa. Nós atacamos, vocês atacam, que vençam os homens com mais gols e que se danem os defensores.
Era Michael Olise, na direita do Bayern, a jogar com os seus marcadores, e Luis Diaz a correr em direcção aos defesas, na extrema esquerda. Khvicha Kvaratskhelia mostra porque é o melhor georgiano para o PSG, e Desire Doue imita na outra ponta. Depois tivemos dois avançados – o actual detentor da Bola de Ouro, Ousmane Dembele, e potencialmente o seu vencedor, Harry Kane – a marcar no meio de tudo.
Foi revigorante ver tanta positividade no jogo de ambos os lados, com menos passes laterais para passar e mais propósito quando a bola foi chutada. Embora todos os defensores que assistiam possam ter chorado por sua arte, todos os demais ficaram gratos pela dedicação ao ataque.
A forma como o PSG fez o 3-2 – e garantiu a vantagem que acabaria por manter – foi através de um pênalti polêmico concedido por uma bola de mão de Alphonse Davies, cujo único ataque foi possuir o braço esquerdo ao bloquear um cruzamento de Dembele. Como disse um escritor, parecia uma mancha na Mona Lisa, este jogo tinha sido uma obra-prima antes daquele momento.
Ousmane Dembele marcou dois gols na vitória do PSG sobre o Bayern de Munique em um thriller de nove gols em Paris
O golo de Luis Diaz, após um excelente passe de Harry Kane, reduziu a desvantagem para 5-4 numa noite de bela anarquia
O Bayern foi corajoso ao continuar a pressionar os jogadores no campo, quase como se tivesse esquecido a segunda mão na Allianz Arena. Kvaratskhelia e Dembele marcaram o quarto e o quinto gols do PSG, cada um deles uma adaga no coração do suspenso Vincent Kompany que assistia das arquibancadas, até que Dayot Upamecano e Diaz reduziram os gols para fazer o 5-4 para completar uma noite extraordinária.
O Bayern nunca parou de tentar marcar, chegando a substituir o meio-campista Aleksandar Pavlovic pelo atacante Nicolas Jackson nos acréscimos.
Kane marcou seu 54º gol na temporada pelo seu clube, dando início ao caos naquela noite, dizendo depois: ‘Você viu dois times de alto nível. Lutamos, lutamos e estamos de volta ao empate.
Ganhar a Liga dos Campeões pode ser o momento da Bola de Ouro que Kane esperava. Ele tem 32 anos agora, completará 33 em julho, e quando o Bayern lhe oferecer seu novo contrato neste verão, ele pode querer ter certeza de que haverá um grande bônus junto com esse prêmio.
Primeiro, porém, para vencer a Liga dos Campeões, o Bayern teve que superar o poder do PSG e, quando Diaz apareceu, foi derrubado por Willian Pacho. O árbitro Sandro Schare marcou pênalti, Kane se adiantou e claro marcou.
O empate de Kvaratskhelia foi excelente, já que teve tão pouco espaço ao ser marcado por Josep Stanisic e ainda criou o suficiente para rastejar para o canto.
Apesar de todo o talento ofensivo em exibição, foi um escanteio de Dembele e uma cabeçada de João Neves – todos com 1,70 metro dele como o menor jogador em campo – que deram ao PSG a vantagem de 2 a 1. Depois veio outro gol de primeira linha, quando Olise passou pela defesa parisiense e, marcando 92 km/h, ultrapassou Matvei Safonov para fazer o 2-2.
O PSG recebeu o pênalti nos acréscimos do primeiro tempo para Davies, que bloqueou o cruzamento de Dembele com o braço. Foi duro, um caso claro de árbitros interferindo onde não precisavam se preocupar em fazer sentir sua presença em uma competição tão envolvente.
Khvicha Kvaratskhelia mostrou mais uma vez a sua classe com dois golos num dos maiores jogos europeus de todos os tempos
O PSG não se importou muito. A vantagem foi restaurada através de um pontapé de baliza de Dembele, enquanto os campeões em título procuravam capitalizar a vontade de atacar do Bayern.
Kvaratskhelia e Dembele marcaram cinco gols naquela noite, antes do Bayern se recuperar com mais dois de Upamecano e Diaz. Com 5-4, qualquer uma das equipas ainda pode garantir a passagem para uma final contra o Atlético ou o Arsenal e, potencialmente, o seu lugar no panteão dos grandes campeões europeus.
Enfim, o mesmo de novo na próxima semana? Sim, por favor. Atenciosamente, os neutros.



