Início ANDROID Polvos gigantes podem ter governado os oceanos há 100 milhões de anos

Polvos gigantes podem ter governado os oceanos há 100 milhões de anos

14
0

Os polvos modernos são conhecidos pela sua inteligência e agilidade, permitindo-lhes deslizar por espaços apertados, esconder-se em recifes de coral ou flutuar nas profundezas do oceano. No entanto, novas pesquisas mostram que seus ancestrais distantes viviam um estilo de vida muito diferente. Os cientistas acreditam agora que os primeiros polvos não eram criaturas silenciosas e esquivas, mas grandes predadores que caçavam ao lado de grandes vertebrados no topo da cadeia alimentar marinha. O estudo, liderado por pesquisadores da Universidade de Hokkaido, foi publicado em ciência 23 de abril de 2026.

Rastrear as origens dos polvos tem sido difícil porque seus corpos moles raramente fossilizam. Ao contrário dos animais com ossos ou conchas, eles deixam poucas evidências físicas. Para superar este problema, os investigadores concentraram-se nas mandíbulas fossilizadas, partes do corpo com maior probabilidade de sobreviver milhões de anos, para revelar pistas sobre a sua evolução inicial.

Usando tomografia de alta resolução e modelos de inteligência artificial, a equipe de pesquisa descobriu fósseis de mandíbulas embutidos em amostras de rochas que datam do final do período Cretáceo, de 100 a 72 milhões de anos atrás. Os fósseis foram descobertos em locais no Japão e na Ilha de Vancouver, onde as condições calmas do fundo do mar ajudaram a preservar detalhes requintados. Belas marcas de desgaste na mandíbula fornecem informações valiosas sobre como esses animais antigos comiam.

Evidência de comportamento predatório poderoso

Os fósseis pertencem a um grupo extinto de polvos com barbatanas chamado Cirrata. Ao estudar o tamanho, a forma e o desgaste superficial das mandíbulas, os pesquisadores determinaram que esses animais eram caçadores ativos, capazes de esmagar presas resistentes com mordidas poderosas.

“Os nossos resultados sugerem que os primeiros polvos eram predadores gigantes que ocuparam o topo da cadeia alimentar marinha durante o período Cretáceo”, disse Yasuhiro Iba, professor da Universidade de Hokkaido. “Com base nos fósseis de mandíbulas excepcionalmente bem preservados, descobrimos que o comprimento total destes animais pode atingir quase 20 metros, o que pode exceder o tamanho de grandes répteis marinhos da mesma idade”.

“Talvez a descoberta mais surpreendente tenha sido o grau de desgaste no queixo”, disse Iba. A mandíbula fossilizada apresenta extensas lascas, arranhões, rachaduras e polimento, todos sinais de uma mordida poderosa. “Em espécimes bem crescidos, a ponta da mandíbula apresenta até 10% de desgaste em relação ao comprimento total da mandíbula, o que é maior do que a quantidade de desgaste observada em cefalópodes modernos que se alimentam de presas de casca dura. Isto sugere que eles tiveram repetidas interações poderosas com suas presas, revelando uma estratégia de alimentação inesperadamente agressiva.” Estas observações indicam que os predadores eram altamente ativos e frequentemente atacavam as presas.

Rastreando as origens do polvo

A descoberta remodela significativamente a visão dos cientistas sobre a evolução inicial do polvo. Os fósseis prolongam o registo mais antigo conhecido de polvos com barbatanas em cerca de 15 milhões de anos e atrasam a linha temporal mais ampla dos polvos em cerca de 5 milhões de anos. Isso sugere sua origem há aproximadamente 100 milhões de anos.

Outro detalhe atraente vem do padrão de desgaste irregular nas mandíbulas. Nas duas espécies estudadas, um lado da superfície oclusal apresentou maior desgaste que o outro. Isso sugere que esses animais podem preferir usar um lado da mandíbula, comportamento conhecido como lateralização. Nos animais modernos, a lateralização está associada a funções cerebrais superiores. As descobertas levantam a possibilidade de que mesmo estes primeiros polvos exibiam comportamentos complexos relacionados com a inteligência.

Repensando antigas teias alimentares marinhas

Durante anos, os cientistas acreditaram que os antigos ecossistemas marinhos eram dominados por predadores vertebrados, com os invertebrados desempenhando um papel menor. Este estudo desafia essa suposição. Há evidências de que os polvos gigantes são uma exceção, subindo ao topo da cadeia alimentar e competindo diretamente com os grandes vertebrados.

“Este estudo fornece a primeira evidência direta de que os invertebrados podem evoluir para enormes e inteligentes predadores em ecossistemas dominados por vertebrados há aproximadamente 400 milhões de anos. Nossos resultados mostram que a perda de mandíbulas poderosas e ossos rasos, que são características comuns de polvos e vertebrados marinhos, foi fundamental para se tornarem enormes e inteligentes predadores oceânicos”, disse Iba.

Desbloqueando ecossistemas antigos com inteligência artificial

A pesquisa também destaca o potencial da tecnologia digital de mineração fóssil combinada com inteligência artificial. Esta abordagem poderia ajudar os cientistas a descobrir mais fósseis escondidos e a reconstruir ecossistemas antigos com mais detalhes do que antes.

Source link

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui