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Cuba: Petroleiro russo sujeito a sanções esperado na segunda-feira, apesar do embargo americano

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Um navio-tanque russo sancionado deverá chegar a Cuba na segunda-feira, desafiando o embargo dos EUA ao fornecimento de combustível à ilha comunista, que enfrenta grave escassez de energia.

O Anatoly Kolodkin, transportando 730 mil barris de petróleo bruto, estava no domingo ao norte do Haiti e se dirigia ao porto de Matanzas, no oeste de Cuba, segundo a empresa de análise marítima Kpler.

Cuba, onde vivem cerca de 10 milhões de pessoas, não importa petróleo desde 9 de janeiro, último prazo de entrega do México, antes de o México suspender os envios de combustível sob pressão da Casa Branca.

Jorge Piñón, especialista no sector energético cubano da Universidade Americana em Austin, Texas, disse estar surpreendido pelo facto de os Estados Unidos não terem tentado deter o petroleiro russo antes de este chegar tão perto de Cuba.

“Acho que neste momento os EUA estão quase sem sorte ao tentar impedir isso”, disse Piñón à AFP. “Uma vez que o navio entre em águas cubanas, será quase impossível para o governo dos EUA detê-lo”, enfatizou.

Segundo dados da empresa Kpler, o navio-tanque Sea Horse, com bandeira de Hong Kong, que anteriormente transportava diesel russo para Cuba, finalmente entrou em águas venezuelanas.

Cuba perdeu o seu principal aliado regional e fornecedor de petróleo em Janeiro, quando as forças dos EUA capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Caracas tornou-se o principal fornecedor de combustível de Cuba nos últimos 25 anos.

Os cubanos sofrem regularmente cortes de energia que podem durar mais de 20 horas. Houve sete cortes de energia nacionais no país desde o início de 2024, incluindo dois em março.

O presidente cubano Miguel Diaz-Canel implementou diversas medidas para economizar combustível, incluindo um racionamento rigoroso. Os preços dos combustíveis dispararam, os transportes públicos foram bastante reduzidos e algumas companhias aéreas suspenderam os voos para Cuba.

O governo americano, que recentemente aliviou as suas sanções contra o petróleo russo, anunciou em 19 de Março que estes hidrocarbonetos ainda não podem ser entregues a Cuba ou à Coreia do Norte.

Cuba, aliada de Moscou

Em 20 de março, o Kremlin disse estar discutindo formas de ajudar a ilha com Cuba, país aliado de Moscou, mas ainda se recusou a comentar informações sobre a entrega secreta de diesel de origem russa.

Moscovo e Havana, que têm trabalhado em estreita colaboração desde os tempos soviéticos, reforçaram os laços desde que a Rússia lançou a sua ofensiva em grande escala contra a Ucrânia em 2022.

O especialista disse que assim que a carga de Anatoly Kolodkin chegar a Cuba, serão necessários 15 a 20 dias para processar o petróleo, seguidos de 5 a 10 dias para distribuir os produtos refinados. “A necessidade urgente de Cuba hoje é o diesel”, disse este ex-executivo da indústria petrolífera.

Segundo o especialista, a carga russa pode ser convertida em 250 mil barris de diesel, o suficiente para atender a demanda do país por cerca de 12,5 dias.

O governo terá então de decidir se direcionará esse combustível para geradores de emergência ou para os autocarros, tratores e comboios necessários para manter a economia a funcionar durante duas semanas.

Anatoly Kolodkin, que estava sujeito a sanções americanas, carregou petróleo no porto russo de Primorsk em 8 de março.

Ele estava acompanhado por um navio da Marinha Russa durante a travessia do Canal da Mancha. Porém, segundo a Marinha britânica, os dois navios separaram-se depois que o petroleiro entrou no Oceano Atlântico.

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