Início ANDROID Espécies marinhas desapareceram antes que os cientistas as descobrissem

Espécies marinhas desapareceram antes que os cientistas as descobrissem

31
0

A perda de espécies em todo o mundo está a acelerar, impulsionada pelas alterações climáticas, destruição de habitats e espécies invasoras. Muitos grupos pouco conhecidos, incluindo vermes marinhos, estão particularmente em risco, com alguns em risco de extinção mesmo antes de os cientistas os descobrirem.

Para colmatar esta lacuna, investigadores da Universidade de Göttingen, do Instituto Leibniz para a Análise das Alterações na Biodiversidade (LIB) e da Sociedade Senckenberg para a Investigação da Natureza estão a realizar um grande esforço para documentar os “anelídeos marinhos” (minhocas marinhas segmentadas) da Europa e tornar os dados disponíveis publicamente. Ao construir um conjunto de dados abrangente e acessível, a iniciativa visa acelerar a descoberta de novas espécies e aprofundar a compreensão global da biodiversidade. O projeto, denominado “EuroWorm: Acelerando a pesquisa global sobre a biodiversidade de anelídeos marinhos usando dados de genoma aberto de espécies europeias”, é liderado pelo LIB e financiado pela Associação Leibniz.

Mapeando a biodiversidade oculta dos oceanos usando genômica

Os anelídeos marinhos são encontrados em quase todos os ambientes marinhos, onde ajudam a misturar sedimentos, reciclar nutrientes, sinalizar níveis de poluição e apoiar cadeias alimentares marinhas. A equipa de investigação planeia recolher amostras de locais europeus onde muitas espécies foram originalmente descritas.

Uma vez coletadas, as amostras são identificadas morfologicamente (ou seja, sua forma, estrutura ou formato), fotografadas em alta resolução e analisadas usando ferramentas genômicas avançadas e outras técnicas modernas. O objetivo é criar um catálogo detalhado do genoma dos anelídeos marinhos europeus, elucidar as relações dos diferentes grupos na árvore evolutiva e explorar como as suas características físicas, reprodução e estilos de vida evoluíram ao longo do tempo.

Dados abertos aceleram a descoberta global de espécies

Os vermes coletados, suas imagens e dados genéticos serão adicionados à coleção LIB do Museu de História Natural de Hamburgo e ao Museu de História Natural Senckenberg. Cientistas de todo o mundo, especialmente os do Hemisfério Sul, poderão aceder a estes recursos através de portais e plataformas institucionais como o GBIF, ou solicitar espécimes para futuras pesquisas.

“Ao comparar dados sobre espécies europeias, esperamos acelerar a descoberta de novas espécies e a investigação da biodiversidade à escala global, contrariando assim a ‘extinção silenciosa’ de espécies marinhas”, explica a líder do projeto, Dra. Jenna Moore, do LIB. A iniciativa visa também fortalecer o papel dos museus de história natural como centros de pesquisa modernos e equipados com ferramentas de ponta.

Coleções de museus e DNA desvendando espécies ocultas

Três pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Evolução Animal e Biodiversidade da Universidade de Göttingen estão contribuindo para o projeto. “Essas coleções são cápsulas do tempo científicas”, disse a Dra. Maria Teresa Aguado Molina. “As coleções históricas combinadas com a genómica moderna estão a revelar a biodiversidade oculta a um ritmo sem precedentes. A EuroWorm mostra que as descobertas mais avançadas começam com espécimes recolhidos há décadas.”

O professor Christoph Bradorn destacou o interesse de longa data de Göttingen na evolução dos anelídeos, afirmando: “Isso significa que estamos ainda mais entusiasmados por poder estudar mais estas questões como parte de um projeto financiado pela Sociedade Leibniz.”

Trabalhando juntos para definir o futuro da pesquisa

A EuroWorm reúne conhecimentos de diversas instituições para fornecer uma base sólida para pesquisas em larga escala sobre biodiversidade. “Uma abordagem interdisciplinar abrangente fornece uma excelente base para documentar minuciosamente a diversidade dos anelídeos marinhos, bem como para identificar concretamente futuras prioridades de investigação”, disse o Dr. Conrad Helm.

Source link

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui