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‘Isso é desumano’: uma família de imigrantes foi presa por dois meses em Minneapolis

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Durante dois meses, Ana, Carlos e seu filho Luis trancaram-se em casa enquanto milhares de policiais federais patrulham Minneapolis.

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As cortinas desta família mexicana ficam fechadas o dia todo e bloqueiam a porta com uma barra de metal para evitar que seja aberta à força.

Para esta casa construída há mais de uma década nesta cidade do Centro-Oeste onde dois americanos foram mortos por agentes federais em Janeiro, o segundo mandato de Donald Trump transformou os sonhos americanos num pesadelo.

“Viver assim, como prisioneira em sua própria casa, é desumano”, disse Ana, que assim como seu marido e filho, fala sob pseudônimo, à AFP.

Esta mãe de 47 anos tem quatro filhos. Luis fica trancado com ele porque nasceu no México, mas assim que sai fica furioso com os outros três nascidos nos Estados Unidos.

“Sempre tive medo de que, mesmo sendo cidadãos, não sejam mais respeitados e possam ser levados embora só pela cor da pele”, treme.

As crianças devem enviar mensagens de texto antes de ir para casa. Caso contrário, a porta não abrirá quando bater.

Luis, de 15 anos, observa com dor no coração enquanto seus irmãos e irmãs vão e vêm.

O adolescente sonha em “ir ao restaurante fast food na mesma rua quando as coisas estiverem melhores”.

“Por enquanto, está tão perto, mas tão longe”, ele suspira.

“Trump nos defraudou”

Depois de terminar suas aulas on-line, ele assistiu ao videogame de tiro em primeira pessoa “Half-Life”, muitas vezes durante cinco horas por dia.

“É a única coisa que me faz esquecer o que aconteceu”, ele sussurra.

Seu pai, Carlos, está furioso com a situação.

Este instalador de bancada de granito pagou US$ 11.000 em honorários advocatícios para concluir seu pedido de visto. O procedimento já dura quase três anos.

Ele e sua esposa têm autorização de trabalho. Mas a administração Trump já não se preocupa com este documento oficial, o que não impede que seja preso ou deportado.

“Eles lhe dão uma autorização de trabalho, mas não permitem que você permaneça legalmente neste país. Como isso é possível?” Carlos fica furioso.

“Achamos que Trump está nos enganando”, resmunga o imigrante de 43 anos.

“Acho que não merecemos isso. Não fizemos nada de errado, não somos culpados”, insiste.

Ele está perturbado com os métodos das duas agências responsáveis ​​pelo combate à imigração, o ICE e o CBP.

Em Minneapolis, como em Los Angeles e Chicago, policiais mascarados estão aumentando suas batidas no meio da rua, especialmente perto de pontos de ônibus e lojas de bricolagem.

Durante o primeiro mandato de Donald Trump, Carlos não sentiu necessidade de se trancar e tem memórias de operações mais direcionadas.

“E se nunca parasse?”

Apenas duas pessoas que ele conhecia foram deportadas. “Um estava envolvido com tráfico de drogas e o outro batia na esposa”, diz.

A operação “Metro Surge” lançada pela administração Trump em Minneapolis ainda não terminou.

Mas num estudo realizado em Los Angeles no Verão passado, as estatísticas mostraram que mais de metade dos imigrantes detidos não tinha antecedentes criminais.

Entre o emprego fixo de Carlos e os biscates de Ana, como cozinhar ou caixa, o casal costuma ganhar US$ 6 mil por mês. Mas desde dezembro não têm mais rendimentos.

Eles tiveram que pedir emprestado US$ 1.500 de um amigo para pagar o aluguel de US$ 2.200 em janeiro.

Como eles farão isso no próximo mês? Eles estão apenas rezando para que a maioria dos agentes federais seja enviada para outros lugares dos Estados Unidos.

Mas às vezes a dúvida os consome.

Carlos perguntou: “E se isso nunca tivesse parado?” ele deixou escapar. “O presidente deveria permanecer no cargo por mais três anos, três anos é tempo suficiente.”

Diante do resto da família, Ana tenta estabelecer uma figura materna tranquilizadora. Porém, quando sua mente divaga, ele se imagina no México.

“A única coisa que me mantém aqui são os sonhos dos meus filhos”, diz ele.

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